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|Estado da Nação

Ao minuto: o debate do Estado da Nação com um Governo descredibilizado

O AbrilAbril está a acompanhar o debate sobre o estado da nação. Enquanto a direita procura empolar problemas estéreis, o Governo procurará fugir a um debate sério. Há quem olhe para o país com preocupação e espera-se que Luís Montenegro seja confrontado. 

Créditos António Cotrim / Agência Lusa

16h15 - Luís Montenegro alinhou com André Ventura

DDepois do grande favor que André Ventura lhe fez, Luís Montenegro teve todo o espaço para dissertar sobre o vazio completo que representou a intervenção do líder do Chega. O discurso de André Ventura permitiu que o primeiro-ministro parecesse preocupado com a qualidade do debate e com os destinos do país, acusando o presidente do partido de extrema-direita de funcionar mediante as manchetes dos jornais.

Sobre se mantém a confiança no ministro da Administração Interna, Luís Montenegro diz que mantém no MAI e em todos os ministros e secretários de estado e alimentou a polémica criada pelo Chega de supostas ameaças. Sobre os Exames Nacionais, o primeiro-ministro reconheceu que não correu tudo bem, mas que no futuro correrá melhor. O estado da nação foi relegado para segundo plano. 


16h05 - André Ventura puxa pela espuma dos dias

Pelo Chega, André Ventura teve a palavra para ajudar o Governo a desviar as atenções daquilo que urge discutir. Numa intervenção de cinco minutos, André Ventura quis discutir a quantidade de vezes que Luís Montenegro foi ver o Mundial de Futebol da FIFA. André Ventura, que na altura dos incêndios foi para as áreas ardidas gravar vídeos para o tiktok, acusou o primeiro-ministro de não estar no país durante os incêndios.

Como não podia escapar, também os Exames Nacionais foram objecto da retórica de André Ventura. Num debate para discutir o Estado da Nação, o líder da extrema-direita foi também buscar as polémicas em torno de Luís Neves.

Com o discurso de André Ventura ficou provado que o Governo pode sempre contar com o Chega para desviar as atenções. Sobre as dificuldades das famílias, André Ventura nada disse.  
 


15h30 - Arranca o debate com a intervenção do primeiro-ministro

Luís Montenegro começou o discurso de abertura a fazer um balanço da acção governativa. Dado o forte insucesso e impopularidade do Governo, o primeiro-ministro optou por desferir ataques ao PS e às restantes bancadas da esquerda. «O país está a mudar e não quer voltar ao que era antes» e não quer «estar capturado por agendas ideológicas», vinca Luís Montenegro.

O primeiro-ministro diz que encontrou um país com os serviços públicos subfinanciados e uma crise social. Como não podia deixar de ser, na senda da utilização que tem feito da agenda da extrema-direita, o chefe do Executivo quis também instrumentalizar a suposta «imigração descontrolada».

O início da intervenção do primeiro-ministro espelha, no entanto, o modelo de actuação do Governo. Luís Montenegro escuda-se na imigração para o colapso das funções sociais do Estado, nomeadamente do SNS, Escola Pública e Habitação. Se já se sabia que a imigração era o bode expiatório do Governo, Luís Montenegro deixou-o claro no seu discurso.

Mantendo a linha de ataque ao PS, Luís Montenegro acusa o partido liderado por José Luís Carneiro de estar a realizar uma «coligação negativa com o Chega». Num argumento de espantalho, o primeiro-ministro culpa a correlação de forças por não o deixar governar, numa «táctica socrática» de estabelecer uma narrativa. Estamos em 2026 e Luís Montenegro, à moda da extrema-direita, precisou de trazer José Sócrates a debate.

Para justificar o sucesso da sua governação, o primeiro-ministro meteu em cima da mesa um conjunto de medidas pontuais e nada estruturais para puxar alguns aplausos das bancadas que sustentam o seu Governo. Num debate do Estado da Nação, Luís Montenegro veio ao Parlamento com um discurso esvaziado de conteúdo.

«Em matéria de sensibilidade social, os resultados já foram praticados», disse Luís Montenegro depois de invocar parcas medidas que nada mudaram a vida dos mais desfavorecidos.

Na recta final do seu discurso, Luís Montenegro destacou os alegados resultados económicos do país, com a consagração do aumento do rating de Portugal. Neste momento, o líder do Executivo demonstrou bem o desfasamento da realidade que conduz o Governo. «É por isso que estamos a transformar Portugal. Estamos a transformar Portugal para reduzir a carga fiscal das famílias e das empresas», disse Luís Montenegro, sem mencionar que a política fiscal do Executivo assenta, isso sim, nas borlas fiscais aos grande grupos económicos.

Como não podia deixar de ser, Luís Montenegro teve a arrogância para falar do aumento dos rendimentos das famílias, destacando o aumento do salário mínimo, num contexto de aumento do custo de vida.

No seu discurso, Luís Montenegro parece estar a responder à sua oposição interna, procurando dar ênfase a uma suposta agenda reformista que está em marcha, sendo que uma parte das medidas foram apenas anunciadas e não saíram do papel.

Como forma de evitar críticas futuras das bancadas à esquerda, ignorando a realidade, Luís Montenegro tenta vender a ideia de reforço dos serviços públicos e funções sociais do Estado. Neste campo, afirma que o Governo reforçou o SNS e a Escola Pública, nomeadamente a carreira de docente. O mesmo se aplica no caso da Habitação, com o primeiro-ministro a invocar medidas que em momento algum travaram a especulação do sector.  

«Muitos falam em reformas, mas poucos têm coragem em transformar», disse Luís Montenegro para abordar, ao de leve, o chumbo do pacote laboral, a maior derrota do actual Governo PSD/CDS-PP.

O coroar da falta de noção do real estado do país, Luís Montenegro invocou o PTRR, um programa que já tinha caído no esquecimento. Já sobre os impactos resultantes da «crise no Médio Oriente», Luís Montenegro elencou o conjunto de medidas paliativas como o subsídio da botija de gás que nunca travaram a especulação e o aumento do custo de vida.  

Foi esta, de resto, a ponte que ligou à política externa e à actuação do Governo: «sabemos bem os nossos aliados», disse o primeiro-ministro de forma a que, de forma subtil, fosse enaltecido o seguidismo do Executivo ante a agenda dos EUA. 
 


15h20 - Início do acompanhamento

Boa tarde! 
Dentro de momentos irá começar o debate do Estado da Nação. Espera-se um debate bastante intenso, sendo que da parte da direita antecipa-se a instrumentalização dos mais recentes problemas no Governo para tentar contornar um debate sobre o país e a acção governativa. Diversos órgãos de comunicação estão também a focar no problema dos Exames Nacionais e nas polémicas em torno do ministro da Administração Interna.

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