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Semana de Luta Corticeira por melhores salários e condições de trabalho

«Anos após anos, crescem os lucros das empresas corticeiras, enquanto os aumentos salariais têm sido mínimos», criticam os sindicatos, que anunciam acções em 16 unidades industriais, de 24 a 28 de Junho.

Trabalhadores rejeitam o horário concentrado de 12 horas em 3 dias de turnos contínuos e não aceitam o fim do sábado e do domingo como dias de descanso
Na Semana de Luta Corticeira, os trabalhadores denunciam «as acções em alta na Bolsa e os salários em baixa nas negociações» CréditosNUNO VEIGA / LUSA

Recentemente, enquanto as acções da Corticeira Amorim eram negociadas em alta na Bolsa – com um encaixe financeiro de 43,7 milhões de euros –, decorria a terceira reunião de negociações do contrato colectivo de trabalho (CCT) do sector, revela numa nota a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM/CGTP-IN).

Então, a associação patronal (APCOR) apresentou «uma proposta de 14,73 euros para actualização salarial e cinco cêntimos para o subsídio de refeição, recusando todas as restantes propostas sindicais», denuncia a Federação, sublinhando que estas «são razões bastantes para a convocação de uma Semana de Luta Corticeira», com greves e concentrações de trabalhadores em 16 unidades industriais de diversas empresas do sector.

Em causa estão a actualização salarial «digna e justa» de 23 euros, bem como a actualização do subsídio de refeição para seis euros diários e o pagamento de complemento de subsídio de doença profissional.

Os trabalhadores reivindicam ainda 25 dias úteis de férias, o alargamento das diuturnidades a todos os trabalhadores, a introdução de uma nova cláusula relativa ao «combate e proibição do assédio», e a melhoria geral das condições de trabalho em cada empresa.

Posicionando-se contra «as propostas gravosas do governo e do patronato», os trabalhadores defendem também a reposição do tratamento mais favorável e o fim da caducidade das convenções colectivas de trabalho.

Greves e concentrações de 24 a 28 de Junho

A semana de luta tem início na próxima segunda-feira, dia 24, com uma greve das 0h às 24h, em unidades industriais de oito empresas localizadas em várias freguesias (Argoncilhe, Rio Meão e Santa Maria de Lamas) do concelho de Santa Maria da Feira, estando também agendada (15h) uma concentração frente à sede da Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), em Santa Maria de Lamas.

Para dia 25, além da greve em duas unidades da Amorim Revestimentos, em São Paio de Oleiros (município de Santa Maria da Feira), está agendada uma concentração junto a essa empresa, bem como uma conferência de imprensa, que contará com a presença do secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos.

A Semana de Luta Corticeira prossegue com greves de 24 horas (e concentrações) em unidades industriais localizadas nos concelhos de Coruche e Vendas Novas, dia 26; no de Ponte de Sor, dia 27; e no de Santa Maria da Feira, dia 28.

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