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Semana de Luta nas corticeiras arrancou com elevada adesão

Teve início esta segunda-feira a semana de luta no sector corticeiro, por melhores salários e condições de trabalho, com greves e concentrações de trabalhadores em 16 unidades industriais do sector.

Semana de Luta Corticeira
Foto de arquivo: a esmagadora maioria dos operários do sector recebe pouco acima do salário mínimoCréditos / FEVICOM

No primeiro dia de greve, a semana de luta registou uma elevada adesão em várias empresas do sector, segundo o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte (SOCN/CGTP-IN), que destacam ainda as acções previstas para as unidades do grupo Amorim, por ser o líder mundial da indústria corticeira.

No balanço feito ao dia de hoje na acção em frente à Amorim Revestimentos, onde se verificou mais de 90% de adesão, em São Paio de Oleiroso (Santa Maria da Feira), o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, em declarações à RTP, considerou que é necessário chamar a atenção para este sector. Falou de uma luta necessária face às «propostas inadmissíveis» da associação patronal, a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR). 

«Das duas uma, ou há uma mais justa distribuição da riqueza ou vamos continuar a ter desigualdades, empresas com muito dinheiro à custa do trabalho de trabalhadores que recebem muito pouco», afirmou, sublinhando que «o País não se pode desenvolver nem com baixos salários nem com precariedade».

Os trabalhadores do sector corticeiro exigem aumentos salariais de 3%, o que equivale a cerca de 23 euros, bem como a actualização do subsídio de refeição para seis euros diários e o pagamento de complemento de subsídio de doença profissional.

Outras reivindicações passam por 25 dias úteis de férias, o alargamento das diuturnidades a todos os trabalhadores, a introdução de uma nova cláusula relativa ao «combate ao assédio» e a melhoria geral das condições de trabalho em cada empresa.

Em nota, a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM/CGTP-IN) afirma que ao mesmo tempo que decorriam as reuniões de negociações do contrato colectivo de trabalho (CCT) do sector, em que a APCOR apresentou «uma proposta de 14,73 euros para actualização salarial e apenas cinco cêntimos para o subsídio de refeição, recusando todas as restantes propostas sindicais», as acções da Corticeira Amorim eram negociadas em alta na Bolsa, com um encaixe financeiro de 43,7 milhões de euros.

A Semana de Luta Corticeira prossegue até sexta-feira com várias greves de 24 horas (e concentrações) em unidades industriais localizadas nos concelhos de Coruche e Vendas Novas, dia 26; no de Ponte de Sor, dia 27; e no de Santa Maria da Feira, dia 28.

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