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Precariedade fragilizou trabalhadores em arquitectura na pandemia

Os resultados agora divulgados pelo Movimento dos Trabalhadores em Arquitectura (MTA) confirmam que o trabalho em arquitectura é «altamente precarizado».

Créditos / Movimento dos Trabalhadores em Arquitectura

O MTA lançou, esta terça-feira, o relatório completo do inquérito aos trabalhadores em Arquitectura, levado a cabo entre os dias 14 de Abril e 17 de Maio de 2020, na primeira fase da crise epidémica.

O inquérito recebeu 555 respostas, sendo 536 consideradas válidas e incidiu sobre a caracterização do trabalhador e da sua situação laboral e a identificação das consequências provocadas pela crise epidemiológica no sector.

Os resultados agora divulgados confirmam que o trabalho em arquitectura é «altamente precarizado», com uma generalização de vínculos precários. Por sua vez, 87% dos trabalhadores são dependentes de outrém, com uma média salarial mensal apurada de 870,75 euros, cerca de 100 euros abaixo do salário médio bruto mensal nacional.

O relatório refere igualmente que se verifica um incumprimento da lei laboral no que diz respeito ao pagamento de subsídios de férias e de Natal, tendo 39% dos inquiridos admitido não receber nenhum subsídio.

Relativamente ao período inicial da crise sanitária, segundo os dados recolhidos, não foram disponibilizados os meios mínimos para o teletrabalho a três quartos dos trabalhadores, e uma percentagem significativa viu o seu já baixo salário reduzido em pelo menos um terço.

O MTA lembra que continuam abertos os canais de denúncia para que, nesta nova fase da crise, não deixem de ser reportados «actos de coacção de diversa natureza infligidos sobre estagiários e trabalhadores em arquitectura», desde despedimentos ilegais, corte indevido de subsídios, não cumprimento de obrigatoriedade de teletrabalho, até a sugestões de burlas ao Estado com sobreposição de teletrabalho à assistência a dependentes.

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