«Os trabalhadores não recusam o risco inerente à actividade ferroviária. O que não pode ser aceite é a exposição a riscos agravados e previsíveis sem medidas de protecção proporcionais», afirma comunicado do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF/CGTP-IN). O fenómeno climático que se abateu sobre o país (e que forçou a suspensão da circulação em várias linhas ferroviárias) foi ainda mais violento do que se previa, mas eram amplamente conhecidos os «avisos vermelhos, alertas das autoridades» e cenários «de risco elevado e previsível».
O sindicato considera que, perante uma situação como esta, deviam ter sido adoptadas pela Medway (antiga CP Carga) «medidas extraordinárias de prevenção, nomeadamente o reforço de meios humanos em funções críticas e a suspensão do regime de Agente Único»: a «inexistência» de um segundo trabalhador presente num comboio de mercadorias «pode transformar uma situação crítica num evento com consequências graves».
Esta opção tem sido promovida «essencialmente por critérios economicistas», defende o SNTSF, um processo típico em empresas privadas preocupadas com «a diminuição de custos operacionais à custa da retirada de redundância humana». Não só apenas em casos de fenómenos climáticos extremos mas, também, em caso de «risco de falha humana por sobrecarga, fadiga ou até doença súbita do maquinista».
«A segurança é um dever, não uma opção. A vida e a integridade dos trabalhadores têm de estar sempre em primeiro lugar» e não pode «depender da sorte» para evitar desastres trágicos na ferrovia.
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