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SNTSF: dinheiro ou vida não é alternativa

O sindicato dos ferroviários reagiu com indignação à conferência de imprensa, sobre o acidente em Soure, da empresa que gere as infraestruturas da ferrovia.

Bombeiros e técnicos inspeccionam destroços no local do acidente ferroviário ocorrido em Soure, Coimbra, a 31 de Julho de 2020, onde um comboio Alfa Pendular descarrilou após colidir violentamente com uma máquina de trabalhos, provocando dois mortos e sete feridos graves, além de dezenas de feridos ligeiros.
Bombeiros e técnicos inspeccionam destroços no local do acidente ferroviário ocorrido em Soure, Coimbra, a 31 de Julho de 2020, onde um comboio Alfa Pendular descarrilou após colidir violentamente com uma máquina de trabalhos, provocando dois mortos e sete feridos graves, além de dezenas de feridos ligeiros.CréditosEPA/PAULO CUNHA / LUSA

Em comunicado sobre as declarações da administração da Infraestruturas de Portugal (IP), proferidas durante uma recente conferência de imprensa sobre o acidente de Soure, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF/CGTP-IN) reage com indignação e rejeita que «o dinheiro ou a vida» seja uma alternativa.

O SNTSF interroga-se sobre como é possível que «após 27 anos do início da instalação» do sistema de controlo automático de velocidade (CONVEL) nos operadores ferroviários, sendo o mesmo obrigatório, «não esteja instalado nos veículos motorizados especiais (VME)», ainda por cima depois de, há dois anos, o Gabinete de Prevenção e Investigação de acidentes com aeronaves e de acidentes ferroviários (GPIAAF) ter recomendado expressamente essa instalação, na sequência de um acidente ferroviário que então, felizmente, não causou vítimas.

O sindicato verberou as contradições da administração da IP nessa conferência, nomeadamente afirmando, segundo o sindicato, «que por um lado o CONVEL é um sistema avançado, por outro lado que é um sistema desactualizado», e que «por um lado não havia constrangimentos financeiros, mas por outro lado não havia dinheiro para tudo, dando como exemplo a supressão de inúmeras passagens de nível».

O sindicato não admite que se poupe «na segurança dos trabalhadores e passageiros» e, responsabiliza quem tem sempre «milhões e milhões de euros para continuar a pagar PPP» mas não «para instalar um sistema básico de segurança nos VME».

Culpar pelo acidente do passado dia 31 de Julho os que faleceram é fácil, diz o SNTSF mas, a haver culpados desse trágico acidente, «terão de ser os diversos governos que, desde os anos 80 do século passado, desinvestiram nos caminhos de ferro optando pelo alcatrão», bem como «os diversos conselhos de administração que na IP, e apesar das recomendações do GPIAAF, pouco ou nada fizeram»

Para o SNTSF será completamente inaceitável que a IP e a tutela se limitem a «empurrar com a barriga» a falta da instalação dos equipamentos de segurança nas VME's ea insistir no erro humano.

Depois desta conferência de imprensa a administração da IP, na opinião do sindicato, «não tem condições para continuar», por ter perdido «a confiança de quem todos os dias anda no terreno», sejam os trabalhadores, sejam os próprios utentes.

Tanto o SNTSF como a Fectrans pedem a demissão imediata da administração da IP.

No acidente ferroviário do passado dia 31 de Julho em Soure, em que um Alfa Pendular descarrilou depois de chocar com um VME que se encontrava na mesma linha, perderam a vida os dois trabalhadores que seguiam na VME, e o motorista do comboio encontra-se gravemente ferido, embora, segundo notícias recentes, em estado estável.

A 3 de Agosto foi conhecido que a instalação do sistema de controlo automático de velocidade nos veículos de manutenção é um compromisso com dois anos da empresa de manutenção da ferrovia. A 4 de Agosto o Ministério Público anunciou estar a investigar o acidente e, no dia seguinte, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) suspendeu a circulação dos veículos de manutenção ferroviária.

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