O relatório sobre os efeitos da pandemia no emprego, publicado hoje pela OIT, revela que há 125 milhões de empregos a tempo inteiro ainda por repor e que as disparidades entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento aumentaram com a crise provocada pelo novo coronavírus.
«A actual trajectória do mercado laboral é marcada por uma recuperação estagnada, com o surgimento de grandes riscos de deterioração, e por grandes lacunas entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento», comentou o director-geral da OIT, Guy Ryder.
«Dramaticamente, vemos que é a disponibilidade desigual de vacinas e da capacidade de estímulo fiscal que está a impulsionar estas tendências e é fundamental que isto seja corrigido o mais depressa possível», disse Ryder.
A análise revela que as horas trabalhadas nos países de rendimento alto e médio-alto tendiam a recuperar em 2021, enquanto os países de rendimento médio-baixo e inferior continuavam a sofrer grandes perdas.
Nas diferentes partes do mundo, a Europa e a Ásia Central sofreram as menores perdas em horas trabalhadas em comparação com os níveis pré-pandemia (-2,5%), seguidas da Ásia e do Pacífico (-4,6%), enquanto a África, as Américas e os Estados Árabes registaram declínios de 5,6%, 5,4% e 6,5% respectivamente.
As últimas estimativas confirmam, de um modo geral, o impacto desigual da crise da covid-19 no emprego, com os jovens, especialmente as mulheres jovens, a continuarem a enfrentar maiores défices de emprego.
Nos países de rendimento baixo e médio, as restrições fiscais e o progresso demasiado lento da vacinação são impedimentos à recuperação, ampliados por riscos de retrocesso, tais como sobre-endividamentos e estrangulamentos na cadeia global de abastecimento, de acordo com a OIT.
A organização estima que, se os países de baixos rendimentos tivessem um acesso mais equitativo às vacinas, a recuperação em horas de trabalho poderia alcançar a das economias mais ricas em apenas um trimestre.
No início de Outubro, 59,8% das pessoas estavam totalmente vacinadas nos países de alto rendimento, enquanto a percentagem era de 1,6% nos países de baixo rendimento, de acordo com a OIT.
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