Passar para o conteúdo principal

|Festa do «Avante!»

Cinema português de sonhos, dilemas e contradições no CineAvante

Curtas e longas-metragens, animação e documentários preenchem a programação do ecrã a céu aberto da Quinta da Atalaia, nos dias 4, 5 e 6 de Setembro.

«Afirma-se como um diálogo de geografias diferentes à procura de um território comum», anunciam as redes sociais da Festa do Avante! sobre o que norteia a programação cinematográfica do maior evento político-cultural de Portugal. A Festa celebra 50 anos de história e o cinema continua como uma grande «ferramenta crítica da realidade».

Este ano é dado um grande destaque para as produções nacionais recentes, mas também há espaço para uma obra de 1975, uma produção palestiniana e diversas outras estrangeiras, enquadradas dentro da selecção da Monstra. Confere a programação:

A Fidai Film (2024)

O realizador Kamal Aljafari revisita a incursão israelita ao Centro de Investigação Palestiniano, em Beirute, no verão de 1982. Uma produção que fala sobre arquivos, literatura e a necessidade de preservar a memória para não se esquecer e reescrever a história pregressa. O filme, de 78 minutos, é uma coprodução entre a Palestina, Alemanha, Catar, Brasil e França.

O Rendeiro (1975)

Gravado no calor das transformações de Abril, Luís Gaspar acompanha o momento em que, em 1975, a terra ganha novos significados com a construção da Reforma Agrária. O que se vê é a luta pelo direito ao trabalho, pela dignidade e pela terra para os rendeiros e assalariados rurais. O documentário tem 30 minutos.

Rio Infinito (2025)

Há quem passe a vida inteira a atravessar o rio da Margem Sul para Lisboa, todos os dias, para cuidar, construir e servir uma cidade que, ao final da tarde, os devolve com indiferença, ignorando-lhes o esforço. É esse movimento pendular que Gonçalo Pina documenta nos 22 minutos de Rio Infinito.

Noites mais fáceis (2025)

Numa noite de trabalho monótono e alienado, Ema está mais interessada em ir atrás do seu lenço, que acaba de voar pela janela. Ema abandona seu posto de trabalho, mas está cada vez mais isolada de seus colegas que a tentam persuadir a parar. Noites mais fáceis, de João Pedro Mamede, é inspirado num haiku de Jack Kerouac.

Entroncamento (2025)

Laura foge de um passado turbulento e tenta recomeçar no Entroncamento, mas vê-se dividida entre a honestidade do trabalho e as artimanhas dos pequenos crimes. Nesse percurso, encontra uma juventude desencantada, tão perdida quanto ela. Nas ruas daquela cidade ferroviária, onde todos apenas aspiram a uma vida melhor, sobressai a ganância, a violência, a má sorte e as lealdades que se vão forjando. O filme de Pedro Cabeleira tem 131 minutos.

Porque hoje é sábado (2025)

A conciliação da vida doméstica e a necessidade de se evadir entram em conflito no âmago de uma mulher num dia de sábado. A animação, de 15 minutos, é de Alice Eça Guimarães

Complô (2025)

«Nunca quis ser um mero observador externo», é como o realizador João Miller Guerra descreve a relação de colaboração construída com Bruno e a sua comunidade para produzir Complô. O filme conta a história do rapper e activista Bruno Ghoya, órfão do país onde nasceu e órfão do estado português que o deixou metade da vida encarcerado. O documentário tem 86 minutos.

Monstra à solta

O CineAvante também vai receber duas sessões de animação infantil. A Monstrinha I, de aproximadamente 45 minutos totais, conta com O Céu Era Doce (2025),de Anh Tú Nguyen; Boglach (2025), de Sarah Benson; Era Uma Vez na Vila Dragão (2024), de Marika Herz; Achado! (2025), de Juliette Baily; A Tâmia e o Esquilo (2024), de Huttzza; Parque Infantil (2025), de Magda Kreps; Dançar à Chuva (2024), de Chao-chun Yeh; Nino e o Mistério da Coroa Desaparecida (2025), Saskia Kowollik; Abrasador (2025), de Trevor Hardy; e Uma Dor do Rabo (2025), de Elena Walf

Na segunda sessão, de cerca de 50 minutos, a Monstrinha II traz as animações A Águia e a Estrelinha-Real (2024), de Paul Jadoul; Pequena Botija de Água Quente (2023), de Yuliana Brutti; O Encontro (2025), de Eszter Szoboszlay; O Tigre e a Cabra (2025), de Marina Verik e Dmitry Mosyagin; Eu Sou Água (2025), de Roser Cussó; Era uma vez uma montanha (2025), de Natalia Abramova; e Lições como Looloo: Abrigo (2025), de Dave McKenna e Steve Roberts.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui