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Na AIMA a precariedade tem as portas escancaradas e vai haver greve

Com o Governo mais preocupado com a política anti-imigração do que com o fim da precariedade laboral, os mediadores socioculturais da AIMA, em plenário, decidiram partir para a greve. «Sem os mediadores a AIMA não funciona», afirmam os trabalhadores. 

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, durante uma visita ao primeiro Centro de Atendimento da Estrutura de Missão da AIMA.
CréditosJosé Sena Goulão / Agência Lusa

Foi em plenário que os trabalhadores decidiram o destino das suas vidas e a greve é o passo a dar. Com contratos a termo incerto, fruto de protocolos com associações de migrantes, os chamados animadores socioculturais sentem diariamente na pela a pesada consequência de viverem com um vínculo precário. 

Na realidade, a categoria profissional encontrada pelo ex-governo PS e mantida pelo actual Governo PSD/CDS-PP é um mero mecanismo para que os tais animadores socioculturais cumpram a tempo inteiro funções que correspondiam ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e ao Alto Comissariado para as Migrações. Desta forma meio ardilosa, através de veículos precários, a tutela arranjou forma de contornar a falta de profissionais, um elemento marcante da forma deficitária como foi feita a reforma no sector.

Os protocolos que preveem a função de mediadores socioculturais na AIMA visam, assim,  que que os trabalhadores assumam funções permanentes como instrução de pedidos, atendimento de migrantes, assessoria ao conselho diretivo, a direcções de serviços, formações, ou representações da AIMA em reuniões externas de alta responsabilidade, porém a remuneração não corresponde ao tipo de trabalho realizado, com baixos salários e horas extraordinárias não pagas. 

Por este motivos, segundo um documento da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN) esta é a hora de «tornar pública a situação contratual precária dos mediadores socioculturais que sempre exerceram funções com carácter permanente», justificando que a greve surge «em defesa da dignidade profissional e do direito à carreira, fundamental para garantir melhores condições de trabalho e em defesa do serviço público que prestam aos utentes». 

A acção de luta, agendada para dia 30 de Março é, deste modo, não só um elevar do patamar reivindicativo, mas também o desmascarar de uma situação que o Governo opta por ignorar. «É importante denunciar na rua que não aceitam a precariedade e o desrespeito pelo vosso direito a um vínculo público  permanente,  a uma carreira e salário dignos», lê-se no documento sindical dirigido aos trabalhadores. 

A par da greve, os trabalhadores realizarão ainda uma concentração em frente à sede do Governo, na Avenida João XXI: «É preciso ter consciência que sem a vossa luta nenhum progresso é possível e que só a vossa determinação na adesão à greve e à concentração pode trazer resultados», afirma o sindicato. 


 

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