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Hotelaria: patrão que tudo quer tudo perde

Todas as reivindicações apresentadas no caderno reivindicativo foram recusadas pelo Alcazar Hotel & SPA, de Monte Gordo, sem qualquer contraproposta. Trabalhadores avançam com greve aos últimos feriados de 2023.

Alcazar Hotel & SPA, em Monte Gordo
Alcazar Hotel & SPA, em Monte GordoCréditos

A decisão foi tomada em plenário dos trabalhadores do Alcazar Hotel & SPA, unidade hoteleira de quatro estrelas em Monte Gordo, concelho de Vila Real de Santo António: tendo o patronato rejeitado todas as reivindicações apresentadas no caderno reivindicativo, «sem apresentar qualquer contraproposta», os trabalhadores vão avançar com greve aos dias feriados de 2023 (1, 8 e 25 de Dezembro).

Em comunicado, o Sindicato de Hotelaria do Algarve (SHA/CGTP-IN) refere que, de entre as várias reivindicação propostas pelos trabalhadores, estavam medidas tão simples quanto um aumento salarial de 10% (com um mínimo de 100 euros) e a fixação do vencimento base mínimo nos 850 euros, com retroactivos a 1 de Janeiro deste ano ano.

Os trabalhadores exigiam igualmente a «reposição do pagamento do trabalho prestado em dias feriado com o acréscimo de 200% e a atribuição de um descanso compensatório correspondente a 25% das horas trabalhadas, a gozar num dia à escolha do trabalhador quando atingir o direito a 8 horas de descanso».

De entre outras medidas de elementar justiça, que assegurem o direito à família, rejeitadas pela administração do Alcazar Hotel & SPA, está a «garantia de descanso semanal ao sábado e domingo uma vez por mês, a acrescer aos dias de descanso semanal normal», assim como a redução faseada do horário de trabalho semanal para as 35 horas, sem perda de remuneração.

Todas estas propostas o patronato rejeitou, recusando-se a apresentar qualquer proposta que se aproxima-se um milímetro das exigências dos seus funcionários. Não é de espantar, atendendo a que o Alcazar Hotel & SPA também se declina qualquer hipótese de integrar no quadro de efectivos do hotel de todos os trabalhadores com vínculos precários que respondem a necessidades permanentes. A exploração é a alma deste negócio.

«O patronato do sector queixa-se da falta de trabalhadores mas recusa as propostas» que efectivamente os atraem e fixam. «Fica claro que o que os patrões querem é mão-de-obra barata e sem direitos que aceitem ser explorados. Esta atitude do patronato, permitida pelos sucessivos governos, está a piorar a qualidade do atendimento e do serviço prestado ao cliente».

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