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Greves nos call centers da MEO e NOS com adesão de 80%

Após a greve no call center da Meo Altice, a 19 de Março, os trabalhadores ao serviço da NOS Comunicações, no Porto, estão em greve esta quinta-feira, por aumentos salariais e o fim da precariedade.

Concentração de trabalhadores de call center em Santo Tirso
Concentração de trabalhadores de call center em Santo TirsoCréditos / Sinttav

Para além da greve, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav/CGTP-IN), cerca de meia centena de trabalhadores realizaram esta manhã uma concentração de protesto junto à entrada do edifício da NOS, em Campanhã.

O protesto sucede-se à greve dos trabalhadores dos call centers e back office da Meo Altice, realizada na passada terça-feira, também no Porto, no seguimento da decisão de «darem continuidade à luta» realizadas nos últimos meses. 

Ao AbrilAbril, Hernâni Marinho, dirigente do Sinttav, afirmou que a adesão à greve rondou os 80% em cada uma das empresas, tendo acrescentado que os trabalhadores dos call centers da Meo e da Nos demonstraram «vontade de continuar a luta», caso as empresas mantenham «a ausência de disponibilidade e de diálogo».

Entre as reivindicações, os trabalhadores exigem «salários justos compatíveis com o nível elevado de responsabilidades exigidas nas suas funções», o fim dos horários desregulados, assim como a integração nos quadros da Meo ou da Nos.

Em nota de imprensa, o Sinttav esclarece que os trabalhadores prestam serviço nas operadoras Meo e Nos, dando diariamente a cara por estas empresas. Todavia, têm vínculos precários e os seus contratos são realizados com empresas de trabalho temporário, entre as quais Manpower, Randstad, Egor, RHmais e Multitempo.

No caso do call center da NOS, o sindicato realça que existem trabalhadores nesta situação «há quase vinte anos», transitando entre as diferentes empresas de trabalho temporário, mas «sempre a prestar serviços imprescindíveis» para a operadora.

Quanto às condições de trabalho, o Sinttav caracteriza-as como um «inferno», com os trabalhadores do call center a «serem cronometrados ao segundo, por exemplo, nas idas à casa de banho», além de serem sujeitos a um extremo desgaste físico e psiciológico, fruto das pressões e «horários rotativos».

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