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«Grande adesão» a uma greve com «reivindicações justas»

Num balanço a meio da manhã, o coordenador da Frente Comum (CGTP-IN), Sebastião Santana, destacou a «grande adesão» dos trabalhadores da Função Pública uma greve «oportuna» e com «reivindicações justas».

Créditos / Sul Informação

A paralisação convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública está a ter uma forte adesão em sectores como a saúde, educação e higiene urbana. 

Segundo informação transmitida pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL/CGTP-IN), através de comunicado, a greve da função pública registava «forte adesão» ao início da noite de quinta-feira, sobretudo «nos sectores de recolha de lixo e higiene urbana». 

«Nos primeiros serviços de recolha noturna a entrar em funcionamento – Almada, Amadora, Évora, Loures, Odivelas, Palmela, Moita e Seixal – registou-se uma adesão de 100%, não tendo sido efectuada a recolha de lixo e serviços de higiene urbana nocturna nestes concelhos», indicou o STAL, em comunicado.

«Lisboa, Sintra e Funchal, por seu lado, registaram uma adesão muito significativa, tendo a recolha sido fortemente afectada», acrescentou.

Segundo transmitiu então o sindicato, «os dados conhecidos até ao momento na Administração Local e Regional revelam uma forte adesão à paralisação convocada pela Frente Comum, e são um sinal claro de que os trabalhadores das autarquias estão de acordo com as razões desta greve».

Também a maioria dos hospitais dos grandes centros urbanos estiveram apenas a assegurar os serviços mínimos no turno da noite. Mas Sebastião Santana regista que os efeitos da greve se fazem sentir de igual modo em cidades como a Figueira da Foz, Castelo Branco ou Covilhã, «sobretudo com escolas encerradas e com hospitais e centros de saúde com perturbações». 

Em declarações à RTP, Orlando Gonçalves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (CGTP-IN), afirmou que a adesão à paralisação está a «ser fortíssima» e «generalizada» a todos os serviços da Administração Pública, realçando que, no Grande Porto, são «mais as escolas que estão encerradas do que as que estão abertas», situação que se verifica um pouco por todo o País. 

Segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN), 95% das escolas estão encerradas, realçando que esta paralisação é a que «mais escolas encerrou». De acordo com dados da Fenprof até agora, de 400 escolas, 382 estão encerradasas. 

100 mil com vínculo precário

Sebastião Santana denuncia a existência de um conjunto de problemas com mais de dez anos, aos quais nem o actual nem os anteriores governos deram resposta, mantendo-se a tónica na desvalorização das carreiras e dos salários. Em declarações à Lusa, o dirigente sublinhou que os trabalhadores da Administração Pública «vão para o 13.º ano sem aumentos», realçando que, «o que houve neste período foi duas actualizações de acordo com a inflação desse ano, nunca recuperando o poder de compra perdido». Cenário que a proposta do Governo do PS para 2022, de 0,9% de actualização, também não iria alterar.  

Segundo o responsável da Frente Comum, neste momento haverá perto de 100 mil trabalhadores com vínculo precário na Administração Pública, «apesar dos programas de integração que houve, que ficaram aquém das necessidades». E mesmo nesses, acrescenta, «falta cumprir etapas como por exemplo a contabilização do tempo de serviço a estes trabalhadores».

A Frente Comum marcou esta greve para reivindicar aumentos de 90 euros para todos os trabalhadores e um salário mínimo de 850 euros na Administração Pública.

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