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Desemprego afectou sobretudo mais jovens e menos qualificados

Os dados avançados pelo INE confirmam aquilo que já se previa: 70% dos trabalhadores que perderam o emprego são jovens, menos qualificados e com salários mais baixos.

Jovens trabalhadores, nas ruas pelos seus direitos e pelo seu futuro
foto de arquivo Créditos

Os números disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) reportam-se ao período entre o fim de 2019 e o final de 2020, marcado pela crise económica e social associada à pandemia.

A precariedade, os baixos salários (dois elementos que afectam com mais incidência os mais jovens) e a falta de qualificações são os factores que mais contribuíram para que os trabalhadores perdessem o seu trabalho.

Em contraponto, os trabalhadores com vínculos mais estáveis, com mais qualificações e salários mais altos, em particular aqueles cujas funções estão associadas à tecnologia, mantiveram, em regra, o emprego. Os dados do INE revelam ainda que o apoio do lay-off simplificado terá sido decisivo para a manutenção destes empregos.

No entanto, há sete grupos profissionais que sofreram uma perda líquida de empregos na ordem dos 270 mil postos de trabalho. Entre estes estão, por exemplo, os trabalhadores de serviços pessoais, segurança e vendedores e trabalhadores menos qualificados.

Mas foram os sectores do comércio, por grosso ou retalhista, assim como das oficinas de reparação de veículos que perderam empregos, fixando-se em menos 48,3 mil postos de trabalho. Também na área dos alojamentos e hotelaria a destruição de emprego ascende a 48,1 mil empregos perdidos.

Como já foi referido, a desprotecção resultante de vínculos precários, que afecta sobretudo os trabalhadores mais jovens, é o grande factor para que estes trabalhadores engrossem, em primeiro lugar, as filas do desemprego, registando-se menos 124 mil pessoas com contratos a prazo, uma quebra de quase 18%.

Os trabalhadores com menos de 25 anos sofreram uma perda de trabalho superior a 18%, havendo ainda menos 56 mil pessoas empregadas nestas idades do que antes da pandemia.

Não obstante, há áreas em que se registou um aumento do nível de emprego, em particular em actividades intelectuais e científicas, o que abrange médicos, enfermeiros, professores e engenheiros informáticos, entre outros. São 181 mil os novos empregos criados nestas áreas, o que se traduz num aumento homólogo de quase 19%.

Recorde-se que uma das exigências da CGTP-IN desde o início da pandemia, e à qual o Governo não quis dar resposta, tem sido a da proibição dos despedimentos.

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