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Milhares perderam emprego devido à precariedade

Em 2020, mais de 136 mil trabalhadores com vínculos precários perderam o emprego, 67 mil dos quais mulheres, a maioria das quais sem ter acesso a subsídio de desemprego, refere um estudo da CGTP-IN.

CréditosJosé Coelho / Lusa

De acordo com um estudo elaborado pelo Gabinete de Estudos Sociais da CGTP-IN, com base em dados do INE, no ano passado foram destruídos cerca de 100 mil postos de trabalho, em termos líquidos, o que corresponde a um recuo anual de 2%, interrompendo o crescimento que se verificava há seis anos.

Para a central sindical esta é a prova de que «as medidas que o Governo implementou como resposta à Covid-19 não foram suficientes nem adequadas para evitar a destruição do emprego e o aumento do desemprego».

«Não só não proibiram os despedimentos, como reduziram os salários e rendimentos a mais de um milhão e quatrocentos mil trabalhadores em todo o País (...), com repercussões na economia e na sociedade, somando crise à crise», lê-se no documento.

Segundo a análise, os trabalhadores com vínculos precários foram os primeiros a ser despedidos. No entanto, o trabalho precário voltou a aumentar no segundo semestre do ano passado, embora não retomando o nível anterior à pandemia, «devido ao crescimento do falso trabalho independente e de outras formas ainda mais precárias que o contrato a termo».

«No 4.º trimestre de 2020 a precariedade medida através dos dados do INE (que subavaliam o seu número real) atingia 710,4 mil trabalhadores, sendo mais de metade mulheres (384 mil)», salientou o estudo.

Entre as jovens dos 15 aos 34 anos os vínculos não permanentes ultrapassam os 36%, sendo de 65% entre as menores de 25 anos e perto de 30% no grupo dos 25 aos 34 anos.

Segundo o estudo, além da instabilidade laboral, com repercussões também na vida pessoal e familiar, os vínculos precários têm como consequência salários 20% a 30% mais baixos que os dos trabalhadores com vínculos permanentes.

De acordo com a CGTP-IN, em 2020 o desemprego real atingiu quase 600 mil trabalhadores, tendo aumentado em mais de 68 mil face a 2019.

A Intersindical salientou ainda que «a maioria das mulheres desempregadas não tem acesso a prestações de desemprego», dado que pouco mais de um terço o consegue. Além disso «os valores auferidos são, em média, muito baixos», sendo de 503 euros em 2020, ou seja, abaixo do limiar da pobreza, que era de 540 euros em 2019.

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