A 114.ª sessão da Conferência Internacional do Trabalho (CIT) está a decorrer em Genebra, desde o dia 1 e até 12 de Junho, perante representantes de governos, patrões e trabalhadores dos 187 Estados-membros da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Na conferência, onde Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN, interveio no dia 8, foi discutida a questão da inteligência artificial, para além de outros temas estruturantes para o futuro do trabalho, nomeadamente a igualdade de género e aspectos normativos sobre trabalho digno na economia de plataformas digitais.
Na conferência, o director-geral da OIT apelou a uma abordagem centrada nas pessoas para orientar o desenvolvimento e a utilização da IA, sublinhando que o futuro do trabalho dependerá das políticas públicas, das instituições e do diálogo social que forem capazes de moldar esta transformação. Por outro lado, considerou que a acção da comunidade internacional deverá assentar em quatro pilares estratégicos: direitos, emprego e competências, proteção social e diálogo social, defendendo que os benefícios económicos decorrentes da inovação tecnológica devem traduzir-se em melhores salários, maior proteção laboral e crescimento inclusivo, evitando que a transformação digital contribua para o agravamento das desigualdades.
A intervenção teve por base o relatório apresentado à Conferência, intitulado «Um Momento de Escolha: Aproveitar o Potencial da Inteligência Artificial para Promover o Trabalho Digno», onde se identificam oportunidades e riscos associados à crescente adopção da IA no mundo do trabalho, com a repartição dos ganhos de produtividade gerados pela inteligência artificial a ser um dos principais desafios.
Esta reflexão sobre a inteligência artificial surge num cenário internacional marcado por forte instabilidade económica e geopolítica. De acordo com estimativas recentes da OIT, um cenário prolongado de aumento dos preços do petróleo poderá traduzir-se numa redução das horas de trabalho equivalente a 14 milhões de empregos a tempo inteiro em 2026, podendo atingir 38 milhões de empregos até 2027. As perdas acumuladas de rendimento do trabalho poderão alcançar os três mil milhões de dólares até esse período, afectando, em particular, os Estados Árabes e produzindo efeitos indiretos noutras regiões, incluindo a Ásia-Pacífico.
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