Em Portugal, metade dos reformados vive com menos de 500 euros e cerca de 20% dos idosos vivem na pobreza. Este retrato pode ficar ainda mais negro com o aumento do custo de vida resultante da guerra promovida pelos EUA e Israel contra o Irão. Para ilustrar esta questão, importa lembrar que o cabaz alimentar custa actualmente 260 euros.
É por este motivo que o PCP levou ao Parlamento uma proposta para o aumento extraordinário de 50 euros para as reformas e pensões. A medida é de elementar justiça, porém, na discussão revelou , mais uma vez, que o Governo tem no Chega um aliado para penalizar quem trabalhou uma vida tem e mal consegue sobreviver.
Durante o debate realizado ontem, o Chega voltou a incorrer em mentiras e alegou que durante décadas o PCP apoiou soluções governativas que nunca tiveram em conta os reformados. O deputado até reconheceu que não havia falta de dinheiro, porém esclareceu que o problema da proposta dos comunistas era falar num aumento para todas as reformas, esquecendo-se que da realidade com que a esmagadora maioria dos idosos está confrontada.
O partido de André Ventura que anda instrumentalizar as causas dos reformados e pensionistas teve uma intervenção pouco clara, algo que o sentido de voto acabou por revelar. Por um lado disse estar preocupado com os reformados, por outro, no momento de aumentar os valores das reformas e pensões, ficou do lado do Governo.
Também Sónia Fernandes do PSD entendeu que o aumento objectivo de 50 euros era «um ramalhete de retórica», algo estranho uma vez que a medida é concreta. Como não podia deixar de ser, e ignorando a robustez da Segurança Social, a «social-democrata» considerou que a proposta «arrisca comprometer a estabilidade duradoura do sistema público de pensões», quando o que está verdadeiramente comprometido é a vida dos mais idosos.
Já hoje, um dia depois do debate a proposta dos comunistas foi a votação, o que deixou em claro as reais intenções de cada partido. Com votos contra do PSD, CDS-PP e IL e abstenções do Chega e do PS, os reformados e pensionistas foram privados de mais 50 euros já a partir do próximo mês de Julho. O chumbo da proposta veio um dia depois do BCE ter decretado o aumento das taxas de juro directoras, algo que irá penalizar ainda mais a vida daqueles que já tantas dificuldades têm em fazer face ao aumento do custo de vida.
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