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«Adesão estrondosa» à greve nas rodoviárias da Barraqueiro

Os trabalhadores de três rodoviárias da Barraqueiro, a operar nos distritos de Leiria e Santarém, iniciaram esta quinta-feira uma greve de dois dias para exigir aumentos salariais e o fim da discriminação.

Piquete de greve na Rodoviária do Tejo
Piquete de greve na Rodoviária do TejoCréditos

Segundo a União de Sindicatos de Santarém (CGTP-IN), a adesão ao primeiro dos dois dias de greve «está a ser estrondosa», tendo como exemplo o caso da Rodoviária do Tejo, a maior, que tem 90% dos motoristas em greve.

A estrutura sindical condena ainda «a forma abusiva com que a administração e algumas chefias intermédias, pressionaram os trabalhadores para cumprirem serviços mínimos/máximos em todas as carreiras e as ameaças de represálias junto dos trabalhadores com vínculo de trabalho precário».

A paralisação de 29 a 30 de Novembro abrange três rodoviárias do grupo Barraqueiro – Rodoviária do Tejo, Rodoviária do Oeste e Rodoviária do Lis – para exigir o aumento dos salários, face à falta de resposta das administrações.

O protesto surge no seguimento da vaga de greves dos últimos meses, que têm abalado as muitas empresas rodoviárias do grupo Barraqueiro, como por exemplo as empresas do grupo EVA e a Rodoviária de Lisboa, nas quais os trabalhadores conquistaram aumentos salariais.

«Há trabalhadores a pegar ao serviço às 5h da manhã e a chegar a casa às 22h, auferindo um salário de 609 euros, montante muito inferior à responsabilidade de transportar pessoas durante longas horas e pouco acima do salário mínimo nacional», lê-se na nota de impresa.

A greve de hoje, convocada pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), tem como objectivo protestar contras as «situações discriminatórias» relativas a diferenças laborais e salariais entre trabalhadores, por serem abrangidos por duas convenções de trabalho diferentes, explicou Manuel Castelão, dirigente da federação.

«Enquanto um motorista da Rodoviária do Tejo tem um salário de 621 euros, que na prática são 609, porque tem englobado o abono para falhas, um motorista [abrangido pelo contrato colectivo de trabalho] da ANTROP [Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros] tem um salário a rondar os 650 euros», exemplificou.

Os trabalhadores reivindicam, por isso, a «unificação das relações laborais», assim como aumentos do salário e do subsídio de refeição, que é de 2,55 euros, valor que «não dá para comer uma sandes e beber um sumo».

«O salário mínimo em Janeiro ficará nos 600 euros e um motorista tem um salário de 609 euros, ou seja, grande parte destes motoristas fica com um salário nove euros acima do salário mínimo nacional e é inconcebível», afirmou Manuel Castelão.

Segundo dados da Fectrans, um total de 650 trabalhadores estão abrangidos pelo pré-aviso. Todavia, a questão da garantia de serviços mínimos, que causou desacordo com as empresas, pode camuflar os impactos da greve.

Com agência Lusa

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