|Dia do Trabalhador

1.º de Maio: trabalhadores vão denunciar «atropelos à boleia do vírus»

As acções de rua organizadas pela CGTP-IN ocorrerão em 23 localidades e pretendem assinalar o Dia do Trabalhador em protesto contra a escalada de ataques aos direitos verificada nas últimas semanas.

Lisboa
LisboaCréditosAna Carolina

A CGTP-IN vai assinalar o 1.º de Maio com acções de rua em 23 localidades do País, garantido que serão cumpridas as regras de distanciamento exigidas pelo combate ao surto epidémico.

Em declarações ao AbrilAbril, Ana Pires, da Comissão Executiva da central sindical, deu nota da articulação em curso com a PSP para definir as medidas necessárias para a concretização das iniciativas de comemoração do 1.º de Maio, garantindo o distanciamento de segurança entre os participantes.

«Neste Dia do Trabalhador, a CGTP-IN tem a obrigação de agir e denunciar as dificuldades com que os trabalhadores estão confrontados», afirmou a dirigente, sublinhando que à «boleia do vírus» os «atropelos aos direitos laborais» têm sido «muitos e graves».

Um dos exemplos é o lay-off simplificado, que se traduz num corte de rendimentos significativo e dificulta o cumprimento das obrigações de muitas famílias, frisou.

«Estas medidas do Governo são desequilibradas e favorecem as grandes empresas, quando estas deviam ser chamadas a dar um contributo neste momento de dificuldade para manter os postos de trabalho e os salários», disse Ana Pires, acrescentando que não é aceitável que se encaminhem milhões de euros para empresas que durante anos acumularam lucros e que se permitam atropelos aos direitos dos trabalhadores.

Em relação aos despedimentos, que evidenciam a grande precariedade que continua a existir no mundo laboral, a dirigente lembra que estes trabalhadores, que agora são «descartados», ocuparam durante anos postos de trabalho permanentes e sustentaram o funcionamento das empresas.

No 1.º de Maio, é a denúncia desta realidade que a CGTP-IN levará à rua, apesar das limitações. O conjunto de iniciativas não reunirá as centenas de milhar de trabalhadores habituais, mas terá uma participação dirigida ao quadro sindical, cumprindo as medidas de protecção e distanciamento.

«Aqueles trabalhadores e dirigentes sindicais que estarão na rua vão ser a voz de milhões de trabalhadores que exigem mais inspecção e fiscalização dos abusos e a reversão dos despedimentos», refere a dirigente, lembrando que a retoma económica só será possível com a valorização dos salários dos trabalhadores, como ficou provado nos últimos anos.

O Dia do Trabalhador vai ser assinalado com iniciativas em Lisboa, na Alameda Afonso Henriques, no Porto, na Avenida dos Aliados, e noutras 21 localidades, sempre em jardins, largos e grandes avenidas.

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