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Campanha eleitoral de Lula boicotada pela extrema-direita

O Partido dos Trabalhadores (PT) denuncia actos de violência perpetrados por grupos de extrema-direita contra a caravana eleitoral de Lula da Silva, no Sul do Brasil. 

O PT informa que, segundos depois desta foto, o agressor começou às chibatadas
Créditos / PT

Desde o passado dia 19 de Março que a caravana de Lula da Silva pelo Sul do Brasil tem sido «vítima de violência e agressões praticadas por uma minoria formada por grupos de direita», revela o PT. Informação avançada pelo partido dá conta que, no primeiro dia, no município de Bagé, o percurso da caravana até ao Campus da Unipampa foi bloqueado por tractores, camiões e máquinas agrícolas.

Na descrição do PT, os grupos agressores aproximaram-se do autocarro com a conivência da polícia e atiraram paus e pedras aos populares que aguardavam a chegada da comitiva, tendo atingido a janela lateral do autocarro de Lula da Silva, enquanto soldados a cavalo usaram chicotes para agredir as pessoas.

Brasil de Fato fala do envolvimento de pequenos grupos de extrema-direita e acrescenta que nesse dia foram fotografadas pessoas na posse de armas de fogo. 

Na terça-feira, 20 de Março, no campus da Universidade Federal de Santa Maria, cerca de 200 extremistas atacaram estudantes e professores que aguardavam a caravana.

«Agrediram os estudantes com pedras, varas de bambu e, novamente, os chicotes, que simbolizam a prepotência desses grupos», enquanto que a brigada militar, que entrou no campus para isolar os dois grupos, «voltou sua cavalaria contra os estudantes e professores», descreve o PT. «A brigada não impediu que os autocarros fossem atacados na saída do campus», acrescenta.

O Brasil de Fato descreve ainda que, entre os opositores, muitos vestiam camisetas com a imagem do pré-candidato da extrema-direita à presidência, Jair Bolsonaro (Partido Social Liberal). Mas o caso mais grave, refere o online, aconteceu no município de Cruz Alta, em Rio Grande do Sul, na última quinta-feira, onde quatro mulheres foram agredidas pelos manifestantes da extrema-direita.

Num comunicado citado pelo online, o Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul denunciou que os manifestantes da direita «agem como bandidos ao atentarem contra a integridade física dos militantes e da população que participa nas actividades». Ao mesmo tempo que pede à população para que ajude a identificar os agressores. 

A semana da comitiva de Lula da Silva terminou em Chapecó, no estado de Santa Catarina. O PT descreve que, ao tomarem conhecimento de que Lula se dirigia à cidade para embarcar num voo com destino a Porto Alegre, os grupos extremistas tentaram fechar o aeroporto local.

Hoje, a presidente destituída Dilma Rousseff e o embaixador Celso Amorim participam numa conferência de imprensa dirigida à imprensa internacional para denunciar estes episódios. 

TRF-4 julga hoje último recurso de Lula da Silva 

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) julga hoje o último recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O tribunal de segunda instância de Porto Alegre vai pronunciar-se sobre os chamados embargos de declaração da defesa, com o objectivo de obter esclarecimentos acerca da sentença proferida em Janeiro. Na altura, o TRF-4 impôs uma pena de 12 anos e um mês de prisão contra Lula. 

Entretanto, na passada quinta-feira, 22 de Março, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o ex-presidente do Brasil não pode ser preso até que o seu habeas corpus preventivo seja julgado pelos juizes do Supremo. O julgamento está marcado para 4 de Abril. 

Prensa Latina dá conta de que a decisão do STF foi analisada por alguns comentadores como uma vitória parcial de Lula, apesar de a defesa prever uma «operação de guerra» por parte de quem procura garantir o afastamento do ex-presidente.

«Mesmo que seja apenas uma decisão provisória, o impacto benéfico do resultado no Supremo Tribunal Federal para as garantias democráticas e a democracia brasileira é inegável, com influência no destino de grande parte do mapa político de 2018», argumentou o colunista do diário digital Brasil 247, Paulo Moreira Leite, citado pela Prensa Latina.

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