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Uma nova Nakba, 76 anos depois

Quando passam 76 anos da Nakba de 1948 e está em curso uma nova Nakba, o MPPM exige o fim da «barbárie israelita» e que «se salde a dívida internacional para com o povo palestiniano».

Palestinianos deslocados são evacuados do campo de refugiados de Tal al-Zaatar, no Norte da Faixa de Gaza, em Maio de 2024 Créditos / MPPM

O dia 15 de Maio é o Dia da Nakba, da «Catástrofe», em árabe, da limpeza étnica do povo palestiniano que, «seguindo um plano que começou a ser concretizado antes ainda dessa data, se intensificou a partir da criação, em 1948, do Estado de Israel», afirma em comunicado o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

«Nas semanas e meses seguintes, o terror sionista expulsou cerca de 800 mil palestinianos das suas casas, das suas aldeias, dos seus bairros e das suas terras», lembra, acrescentando que muitos dos sobreviventes da Catástrofe de então «passaram as suas vidas nos campos de refugiados, no território da Palestina que não chegou então a ser ocupado, nos países vizinhos ou na diáspora».

«Muitos outros viriam a ser, nas décadas seguintes, novamente vítimas da violência e do terror israelita e dos processos de expulsão sistemática do povo palestiniano que marcaram sempre a existência do Estado», explica.

Uma nova Nakba, 76 anos depois

Depois da que se iniciou em 1948, «uma nova Nakba abate-se sobre o povo palestiniano». Neste sentido, alerta o documento, «o genocídio que desde há sete meses Israel desencadeou na Faixa de Gaza não tem paralelo, nem com a Catástrofe de 1948».

Referindo-se a dados, o organismo solidário destaca que «são mais de 35 mil mortos, quase 80 mil feridos, na sua maioria mulheres e crianças», e que «a maioria do parque habitacional de Gaza foi reduzido a escombros e há cerca de 1,7 milhões de desalojados, 75% da população».

A barbárie à solta

«Tudo se tornou um alvo da sanha israelita: hospitais e os seus pacientes e equipas médicas; ambulâncias e equipas de socorro; escolas e os seus alunos; centros e colunas de refugiados; os funcionários das agências humanitárias; os jornalistas que relatam a realidade no terreno; as instituições da ONU, como a UNRWA, que são a última linha de esperança para os muitos que tudo perderam; as mesquitas e igrejas», elenca o texto.

«É a barbárie à solta», alerta o MPPM, que denuncia não só o facto de Israel estar a usar a fome como arma de guerra, como, «num acto de barbárie inaudita», estar a atacar e matar aqueles que procuram a ajuda alimentar e aqueles que a distribuem.

Limpeza étnica com cumplicidade de EUA e potências europeias

O MPPM destaca que o objectivo da Nakba em curso é o de «completar a expulsão dos palestinianos da totalidade da sua terra histórica, negar-lhes o inalienável direito a ter um Estado na sua própria terra», e que tal «limpeza étnica» é promovida com «a participação e cumplicidade» dos Estados Unidos da América e das potências europeias.

Neste contexto, denuncia a particular gravidade das declarações recentes do ministro dos Negócios Estrangeiros português sobre o massacre em curso em Gaza.

«Ao invés da compreensão então manifestada em relação a Israel, exigia-se do Governo português uma posição de condenação firme daquela acção criminosa, que devia ser acompanhada pelo fim da cooperação militar com Israel e do reconhecimento do Estado da Palestina, conforme resolução aprovada na Assembleia da República», afirma o texto.

Um efeito contrário ao pretendido

Os «crimes sem limites de Israel» e «o seu total desrespeito» por normas do direito internacional e pelas mais elementares normas de conduta humana «estão a ter o efeito contrário ao pretendido», declara o movimento solidário, sublinhando que «a determinação e resistência do povo palestiniano assumem proporções heróicas, que ficarão para a História», e que a «solidariedade dos povos com o povo palestiniano atinge dimensões sem precedentes».

Em termos imediatos, afirma, a urgência consiste em impor o cessar-fogo permanente, impor o livre acesso de toda a ajuda humanitária à Faixa de Gaza, e obrigar à retirada israelita de todos os territórios ocupados.

«É inadiável obrigar a que, de uma vez por todas, se cumpram as muitas promessas – sempre traídas – de reconhecimento dos direitos nacionais do povo palestiniano», afirma o MPPM, frisando que «a Nakba de 2023-2024 tem de ser um ponto de viragem na história da Questão Palestiniana».

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