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Vazio do Congresso do CDS-PP confirma a sua irrelevância nacional

«Deve ou não avançar sozinho?», foi a pergunta feita durante o 32.º Congresso do CDS-PP. Para uns deve ter uma agenda própria, para outros deve ser uma muleta do PSD. O Congresso do partido liderado por Nuno Melo fica marcado pela não aceitação de um partido à beira da irrelevância.

Diogo Feio, ex-deputado do CDS-PP, decidiu não participar no 32.º Congresso do seu partido, porém, numa entrevista ao Observador não esteve alheio ao evento e defendeu a fusão dos «centristas» com o PSD. «Discordo da ideia de um CDS autónomo. Eu defendo a sua fusão com o PSD neste projecto AD e que fosse um elemento essencial para ajudar a federação do centro-direita moderado, que também incluísse a Iniciativa Liberal, que poderia ser um projecto maioritário no nosso espaço político», disse.

Esta, no entanto, não foi a ideia dominante do Congresso do CDS, uma vez que a discussão foi em torno do real valor do partido. Desligado da vida, o espaço foi dedicado à discussão em torno da ideia de um partido a caminhar sozinho ou a caminhar debaixo da asa do PSD. Esta última perspectiva, apesar de negar a realidade, prende-se pela perca de representação parlamentar, novamente.

Na prática, o Congresso do CDS-PP foi uma demonstração de um dilema existencial. Juventude Popular, Nuno Correia da Silva e Hugo Gonçalves apresentaram moções alternativas à estratégia de Nuno Melo, documentos estratégicos que procuravam que o seu partido tivesse uma vida própria e se começasse a preparar para as eleições sozinho, sem incluir uma coligação.

Quem não concordou foi Nuno Melo, vencedor do Congresso, talvez pela noção de que o CDS-PP de pouco vale na sociedade portuguesa. Quem também acompanhou o medo do presidente do partido «centrista» foi o presidente do Congresso, José Manuel Rodrigues, que pediu aos subscritores das três moções alternativas à de Melo para que não as levassem a votos de forma a que o ministro da Defesa saísse reforçado do Congresso.

Apesar da tentativa de silenciamento, as moções foram a votos e a moção de Nuno Melo acabou por ser aprovada por «larguíssima maioria», como anunciou José Manuel Rodrigues. Melo procurou vincar que o CDS «não está por favor nem é muleta» na AD, porém, teve sempre dificuldades em desvincular-se da evidente posição subalterna em que se encontra.

Num Congresso notoriamente vazio de rostos e quadros com peso e relevância, o CDS-PP, à medida do seu trabalho parlamentar, de pouco ou nada trouxe para cima da mesa relativamente aos problemas do país, sendo uma caricatura de si próprio. Prova disso é a grande bandeira que Nuno Melo tentou levantar: a revisão constitucional, algo que ninguém pediu. 
 

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