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Medidas de reforço do bloqueio a Cuba são «acções genocidas»

O embaixador de Cuba no México, Eugenio Martínez, classificou como «acções genocidas» as medidas unilaterais que intensificam o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA à Ilha.

Eugenio Martínez é o actual embaixador de Cuba no México CréditosAlejandro Sánchez / contralinea.com.mx

Há mais de seis décadas que Washington aplica a Cuba o bloqueio que se agravou em Janeiro último, quando Donald Trump firmou uma ordem executiva com vista à imposição de um cerco energético.

Numa entrevista ao portal Contralínea, Martínez salientou que este cerco «tem como propósito fundamental matar um povo à fome ou tornar a vida difícil a um povo», procurando paralisar a economia e os serviços para que a população «se renda e se submeta aos interesses dos Estados Unidos».

O diplomata enfatizou o impacto da falta de combustível em áreas tão sensíveis como a geração de electricidade, o bombeamento de água, o funcionamento do sistema de saúde e a produção e distribuição de alimentos.

Deixando claro que o seu país não renuncia ao direito a receber combustíveis e que o governo cubano mantém contactos com diversos países e empresas para que o fornecimento de petróleo seja retomado, Martínez falou da aceleração da instalação das energias renováveis, sobretudo com painéis fotovoltaicos, num cenário em que a biomassa e a energia eólica também assumem destaque, em menor medida.

«Seria lógico ter relações com um país vizinho»

No que respeita às relações com os Estados Unidos, o diplomata, que acusou a potência nortenha de «ilegalidade» e de «violar o direito internacional», defendeu que «seria lógico que um país vizinho tivesse relações» com a maior ilha das Antilhas.

«É benéfico para ambos; a geografia não se pode ignorar. Dois países tão próximos deveriam trabalhar em conjunto em muitas questões de interesse comum, como as correntes oceânicas, a conservação das espécies ou o próprio comércio – por exemplo, na aquisição de níquel cubano», disse.

Neste sentido, reafirmou a disposição de Cuba para manter uma «relação civilizada» com a parte norte-americana, assente no respeito pela soberania.

«Ameaça inusual e extraordinária» é «uma mentira»

Também questionou Washington por ter definido Cuba como «ameaça inusual e extraordinária para a sua política externa e a sua segurança». «É uma mentira; apenas um pretexto para procurar sancionar e ameaçar terceiros e justificar as suas decisões unilaterais, irracionais e injustas», criticou.

No que respeita a declarações recentes de Donald Trump, o diplomata afirmou que o seu país leva essas ameaças «a sério, no sentido de que Cuba se prepara para as enfrentar, e há uma decisão clara do povo cubano de defender o seu país».

Recorde-se que no passado dia 1 de Maio o presidente norte-americano anunciou mais medidas coercivas contra a Ilha, além de ter declarado a intenção de assumir o controlo do país caribenho «quase de imediato» e ter dito que, depois de acabar «o trabalho» no Irão, talvez enviasse um porta-aviões para a costa cubana.

A este propósito, o embaixador cubano no México afirmou que a única forma de a América Latina e as Caraíbas alcançarem o desenvolvimento é trabalhar em conjunto contra as ameaças externas que pretendem controlar os recursos naturais, as infra-estruturas, os territórios e interferir nas decisões de política externa.

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