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Cuba sem petróleo e Marco Rubio a «mentir»

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Cuba não sofre um bloqueio petrolífero. «Optou simplesmente por mentir», declarou em resposta o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros.

Bruno Rodríguez lembrou que, em quatro meses, apenas um barco com petróleo chegou à Ilha Créditos / @BrunoRguezP

Numa conferência de imprensa na Casa Branca, esta terça-feira, Rubio disse que «não há um bloqueio petrolífero a Cuba per se», para insistir na retórica de que «Cuba é um Estado falhado» a «apenas 145 quilómetros das nossas costas».

Disse ainda que a Ilha é «território amigo de alguns dos nossos adversários. Portanto, é um status quo inaceitável. Falarei disso, mas não hoje».

Em resposta às declarações de Rubio sobre a inexistência de um bloqueio petrolífero, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, disse que o secretário de Estado norte-americano «optou simplesmente por mentir».

«A realidade é inegável: a 29 de Janeiro de 2026, o seu presidente assinou uma ordem executiva que ameaça todos os países com a imposição de tarifas caso exportem combustível para Cuba», afirmou Rodríguez na sua conta de Twitter (X).

Recorde-se que Donald Trump classificou então Cuba como uma «ameaça inusual e extraordinária» à segurança nacional dos Estados Unidos, justificando a medida com o facto de o governo de Havana estar alinhado com «numerosos países hostis» e ter acolhido «grupos terroristas transnacionais».

Com base nisso, ameaçou impor fortes tarifas a qualquer país que tentasse fornecer petróleo à maior ilha das Antilhas.

A diplomacia cubana recordou, a este propósito, que, «em quatro meses, apenas um barco de combustíveis chegou a Cuba. Intimida-se e ameaça-se todos os nossos fornecedores em violação das normas do livre comércio e da liberdade de navegação».

«A nova ordem executiva de 1 de Maio estabelece sanções secundárias na área da energia», lembrou ainda Bruno Rodríguez, para sublinhar que o secretário de Estado norte-americano «sabe muito bem o dano e sofrimento que provoca hoje ao povo cubano o cerco petrolífero criminoso que ele mesmo propôs ao seu presidente».

Hostilidade sem precedentes

A propósito das «mentiras» de Marco Rubio, a agência Prensa Latina lembra que o presidente norte-americano mantém as ameaças militares a Cuba, que diz poder concretizar quando tiver concluído «o trabalho» no Irão.

Recorda igualmente que Donald Trump, assim que assumiu a presidência dos EUA, firmou uma série de medidas que visam estrangular a Ilha, por via do reforço sem precedentes do bloqueio económico, financeiro e comercial imposto há mais de seis décadas para derrotar a Revolução e provocar uma mudança de regime.

Entre outras, contam-se o ataque às remessas; a intensificação da perseguição à cooperação internacional de Cuba no sector da saúde; a intensificação da fiscalização das operações financeiras da Ilha; a suspensão dos vistos para intercâmbios culturais, desportivos e científicos; e a activação do Título III da Lei Helms-Burton.

No passado dia 1, Donald Trump publicou uma ordem executiva que alarga as acções coercivas unilaterais do seu governo contra Cuba, que são uma extensão das anunciadas em Janeiro, embora não sejam referidas quaisquer entidades ou pessoas em concreto.

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