O apelo dirigido à FAI, para que a selecção masculina de futebol da Irlanda se recuse a enfrentar Israel em Setembro e Outubro deste ano, foi lançado em forma de carta aberta, apoiada por figuras destacadas do futebol no país, citando questões como o genocídio em curso na Faixa de Gaza e o agravamento da situação humanitária no enclave, refere o Irish Independent.
Este apelo enquadra-se na campanha «Stop The Game» [parem o jogo], liderada pelo grupo Irish Sport for Palestine. Entre os signatários, contam-se o capitão do Shamrock Rovers, o cabo-verdiano Roberto Lopes, o capitão do Bohemians, Dawson Devoy, o capitão do Waterford, Pádraig Amond, o capitão do St Patrick's Athletic, Joe Redmond, e o avançado do Shelbourne, Seán Boyd.
Também aderiram à iniciativa o treinador Brian Kerr, a ex-internacional Louise Quinn, Christy Moore, Fontaines DC e os Kneecap, entre outros.
«Temos de parar o jogo»
O presidente da Associação de Futebolistas Profissionais da Irlanda (PFA Ireland), Roberto Lopes, divulgou uma declaração juntamente com a carta aberta, instando a FAI a dar prioridade a preocupações humanitárias em detrimento dos compromissos desportivos.
«Temos de parar o jogo. Enquanto jogadores e adeptos, o nosso instinto natural é sempre entrar em campo e competir, mas este é um momento em que precisamos de olhar para o panorama geral», declarou Lopes.
Acrescentou que a situação na Palestina representa uma «catástrofe humanitária» e defendeu que a Irlanda deveria assumir uma posição de liderança a nível internacional.
«A Irlanda tem aqui uma oportunidade de liderar – de ser pioneira e fazer o que outros não fazem. Precisamos de ter a coragem de dizer basta. Não podemos ficar de braços cruzados. Por favor, parem o jogo», disse.
FAI afirma que vai aos jogos
A Federação Irlandesa de Futebol (FAI) confirmou que vai manter as duas partidas, depois de procurar aconselhamento jurídico e rever as suas obrigações constitucionais. A associação tinha declarado anteriormente que a recusa em realizar os jogos poderia acarretar consequências desportivas graves.
Os responsáveis afirmaram ainda que o jogo em Dublin servirá para angariar fundos para ajuda humanitária relacionada com a guerra.
A decisão foi tomada após uma assembleia geral extraordinária em que 93% dos delegados apoiaram uma moção que solicitava à UEFA a proibição da participação de Israel em competições internacionais. No entanto, a UEFA rejeitou essa proposta.
Grande maioria de jogadores e adeptos contra os jogos
Uma sondagem realizada pela PFA Ireland revelou que 63% dos 214 jogadores da Liga Irlandesa se opunham à realização dos jogos, enquanto 66% afirmaram que não iriam assistir ao jogo em Dublin. Uma outra sondagem indicou que 75,6% dos adeptos irlandeses são contra a realização dos jogos com Israel.
A carta aberta defende que os jogos devem ser cancelados devido a violações das regras da UEFA e da FIFA, nomeadamente o facto de equipas israelitas jogarem nos territórios palestinianos ocupados; também se refere a preocupações com violações dos direitos humanos, sublinhando que a participação da Irlanda nos jogos equivale a dar cobertura a estes abusos.
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