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Díaz-Canel denunciou impacto do bloqueio energético imposto pelos EUA

O presidente de Cuba denunciou que o bloqueio energético imposto pelos EUA constitui uma punição colectiva que asfixia a Ilha, viola os direitos humanos e deixa 96 mil pessoas à espera de cirurgia.

Miguel Díaz-Canel durante a mensagem que enviou à conferência em Genebra Créditos / Captura de ecrã

Numa mensagem enviada a uma conferência internacional em torno das medidas coercivas, que decorreu em Genebra esta quinta e sexta-feira, Miguel Díaz-Canel explicou que a recente chegada de um petroleiro russo com 100 mil toneladas de combustível se tornou um acontecimento extraordinário devido à ameaça dos EUA de sancionar qualquer país que comercialize hidrocarbonetos com Cuba.

Díaz-Canel detalhou que a política de estrangulamento afecta também 16 mil doentes que necessitam de radioterapia e 2888 que fazem hemodiálise, cujas vidas estão em risco devido à interrupção destes serviços por falta de estabilidade energética, indica a Prensa Latina.

O chefe de Estado acrescentou que os prolongados cortes de energia afectam o abastecimento de água e gás, paralisam os transportes e a produção alimentar, e obrigaram as escolas e as universidades a adoptar modelos de ensino presencial e à distância.

«Ao impedir a chegada de combustível, o governo dos Estados Unidos está a violar flagrantemente os direitos humanos de todo um povo», declarou o texto lido no fórum suíço, que classificou esta política como parte de uma guerra económica que dura há mais de 60 anos e que visa provocar uma explosão social.

O presidente cubano questionou se a comunidade internacional permitirá um regresso aos «tempos de vassalagem e barbárie», e exigiu que as Nações Unidas criem um grupo de trabalho no âmbito do Conselho dos Direitos Humanos e adoptem um instrumento juridicamente vinculativo que obrigue ao levantamento do bloqueio e exija responsabilização.

Na mensagem, refere a fonte, Díaz-Canel agradeceu a solidariedade da Alta Comissária e dos especialistas da ONU, tendo afirmado que o povo cubano defenderá «cada centímetro do solo pátrio» contra o «apetite voraz do império».

Conferência organizada pela Relatora Especial sobre Medidas Coercivas Unilaterais

Cuba participou nesta conferência com uma delegação chefiada pela vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Anayansi Rodríguez, que discursou na sessão plenária de alto nível frisando que as medidas coercivas unilaterais têm um impacto directo no quotidiano da população cubana, afectando sectores-chave como a saúde pública, os transportes, a produção e a sustentabilidade do país, indica a fonte.

A vice-ministra salientou que estas práticas contrariam princípios fundamentais do direito internacional, incluindo os consagrados na Carta das Nações Unidas, como a soberania, a não ingerência nos assuntos internos e a autodeterminação dos povos.

Na sessão plenária, foi apresentada uma declaração do Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas, condenando veementemente todas as medidas coercivas unilaterais e, em particular, «a actual escalada, desmedida e brutal, do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba».

A conferência que decorreu em Genebra, organizada pela Relatora Especial sobre Medidas Coercivas Unilaterais, Alena Douhan, centrou-se no tema «Acção Humanitária, Reparação e Responsabilização num Contexto de Sanções Unilaterais», tendo reunido representantes de governos, organizações internacionais e especialistas em direito internacional.

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