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Alerta para a condenação de activistas solidários com a Palestina no Reino Unido

Dois solidários com a Palestina no Reino Unido foram considerados culpados num processo que os acusava de «perturbar a ordem pública». A decisão é classificada como «chocante» e um «grande retrocesso».

Chris Nineham e Ben Jamal depois de conhecerem a decisão judicial Créditos / @PSCupdates

Um tribunal britânico considerou Ben Jamal, da Palestine Solidarity Campaign (PSC), e Chris Nineham, da Stop the War Coalition, culpados de «perturbação da ordem pública», no passado dia 1.

Ambos tinham sido acusados de não cumprir as instruções dadas pela Polícia, mesmo com inúmeros testemunhos que apontavam para o contrário. Por isso a PSC referiu-se à decisão judicial como «vergonhosa», enquanto outros movimentos sublinharam o ataque às liberdades civis no país europeu.

O indiciamento de Jamal e Nineham seguiu-se a uma enorme manifestação de solidariedade com a Palestina em Londres, em Janeiro do ano passado, quando cerca de 100 mil pessoas se mobilizaram nas ruas para exigir justiça para os palestinianos e o fim do genocídio em Gaza.

Desde então, refere o Peoples Dispatch, redes de activistas e organizações progressistas alertaram que o caso representa mais uma tentativa para abafar a solidariedade com a Palestina e restringir o direito de protesto.

«Não seremos silenciados»

À saída do tribunal, Ben Jamal disse que nem os condenados, nem o movimento de solidariedade se deixariam intimidar e silenciar, e apelou à participação na manifestação do próximo dia 16 de Maio, para assinalar a Nakba.

«Sabemos que decisões como a de hoje são concebidas para reprimir o apoio à luta dos palestinianos pela libertação e à nossa campanha para acabar com qualquer cumplicidade britânica com o genocídio israelita em curso», disse, sublinhando que não terão êxito.

A Polícia alegou que Jamal e Nineham não acataram as instruções que lhes foram dadas e que instigaram outras pessoas a fazer o mesmo, num dia em que mais de 70 manifestantes foram detidos por «violarem» as limitações impostas ao protesto à última da hora.

Em comunicado, a PSC afirmou que «as alegações de desordem naquele dia eram simplesmente falsas. O único momento de violência ocorreu quando Chris Nineham foi brutalmente atirado ao chão e arrastado por agentes da Polícia».

Protesto simbólico contra a cobertura da BBC

Este incidente ocorreu quando Nineham, juntamente com um pequeno grupo de manifestantes, incluindo sobreviventes do Holocausto e os deputados Jeremy Corbyn e John McDonnell, tentou chegar à sede da BBC para ali deixar flores pelas 18 mil crianças até então mortas no genocídio de Gaza.

Tratava-se de um protesto simbólico contra uma cobertura mediática amplamente criticada pelas suas falhas em «mostrar a verdade sobre o genocídio».

«Ben deixou claro que, se fossem parados pela Polícia, as flores seriam depositadas na linha formada pela Polícia», lê-se no comunicado da PSC. «No entanto, como mostram inúmeras provas em vídeo, os agentes convidaram a delegação a passar», acrescenta o texto.

Depois disso, outros polícias confrontaram violentamente os manifestantes, o que levou às detenções de Jamal e Nineham – um episódio que os deputados Corbyn e McDonnell descreveram como «bizarro» na altura.

«Um erro judicial chocante»

«Trata-se de um erro judicial chocante», declarou o Jewish Bloc for Palestine (Bloco Judaico pela Palestina) a propósito da decisão. «Isto está a acontecer ao abrigo da lei actual; o Projecto de Lei sobre Crime e Policiamento, que está quase concluído na sua tramitação no Parlamento, irá agravar ainda mais a situação, concedendo à Polícia novos e amplos poderes para interromper os protestos públicos», alertou.

«O recurso será dispendioso», acrescentou o organismo, sublinhando que a energia aqui gasta «devia ser dirigida para travar a agressão de Israel». Uma «agressão que passou da destruição de Gaza à anexação não declarada da Cisjordânia; aos bombardeamentos do Líbano e do Irão; à ocupação de território libanês e sírio. Beligerância marcada pela morte e destruição em todos os casos», denunciou.

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