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Trinta localidades galegas disseram «não à guerra imperialista»

O Barco (Ourense) foi uma das três dezenas de terras galegas que se mobilizaram contra o imperialismo e a guerra, alertando em especial para as agressões e ameaças ao Médio Oriente e à América Latina.

A defesa de uma «paz real e global» e a denúncia do imperialismo marcaram a mobilização no Barco Créditos / @gzcontraaotan

Com o lema «Iraque, Líbia, Síria, Palestina, Venezuela, Cuba, Irão, Líbano… Não à guerra imperialista», as mobilizações desta terça-feira foram convocadas pela plataforma Galiza pola Paz, que havia declarado o intuito de denunciar as «agressões contínuas do imperialismo, a violação da soberania e da paz, e as consequências nefastas para as vítimas directas e para os povos de todo o mundo».

No município do Barco (província de Ourense), realizou-se uma concentração às 19h na Praça do Concelho, junto a uma bandeira da Palestina e a uma faixa da plataforma promotora contra o militarismo, a NATO e a guerra.

«Viemos hoje a esta praça porque, enquanto a agressão contra o Irão continua e se multiplica em agressões também contra o Líbano, o Iémen e toda a Palestina, e se multiplica em direcção à América Latina e às Caraíbas, enquanto tudo isto acontece, são os povos – o povo galego que sabe sempre colocar-se do lado certo da história – que têm de se mobilizar para gritar bem alto que não querem agressões», afirmou um representante da plataforma citado pelo portal osil.info.

«Hoje, esta e outras 30 localidades do país saem às ruas para mostrar que as guerras imperialistas não nos são alheias, para protestar pelas consequências que nos impõem, mesmo estando a milhares de quilómetros das bombas, e para exigir acções concretas de quem nos governa, não só para paliar os danos, mas também para evitar que continuem a ocorrer», disse, antes do final da mobilização, que terminou com a palavra de ordem «Não à guerra imperialista! Galiza pela Paz!».

Não queremos «a paz que espera pela guerra seguinte»

Aludindo a outras concentrações, que tiveram lugar nas sete cidades galegas – Vigo, Ourense, Lugo, Compostela, Pontevedra, Ferrol e Corunha – e em localidades como Salvaterra do Minho, Monforte, Betanzos, Viveiro ou A Guarda, o diário Nós refere-se à leitura do manifesto que a Galiza pola Paz nelas promoveu.

«A paz que exigimos não é a paz dos caladinhos, nem a paz que espera pela guerra seguinte», sublinhou o texto, defendendo «uma paz real e global». «Acabar com a guerra contra o Irão é tão fundamental como acabar com a agressão permanente contra o Líbano, tão urgente como travar de uma vez por todas o genocídio palestiniano e a ocupação, tão básico como levantar o bloqueio a Cuba ou libertar o presidente Nicolás Maduro», frisou.

«Também não devemos aceitar outro debate que surge sempre que as potências imperialistas se lançam numa agressão: o que apresenta esta guerra como uma irresponsabilidade pessoal dos seus líderes», destacou a Galiza pola Paz.

Guerras ocorrem em função de um sistema instalado, não por «irresponsabilidade» pessoal

Nesse sentido, declarou que «esta guerra não é um acidente infantil de Donald Trump nem um erro do governo, tal como o genocídio palestiniano em Gaza não responde unicamente aos interesses pessoais do assassino Netanyahu».

«O imperialismo e as suas práticas – agressão militar, genocídio, bloqueios, raptos de líderes eleitos, guerra comercial, guerra mediática e psicológica – não acontecem porque um povo escolheu este ou aquele governante», disseram os representantes da plataforma anti-imperialista.

«Acontecem porque o sistema de relações internacionais está instalado há décadas sob a lei do mais forte, e porque este sistema tem nomes, estruturas e beneficiários que não mudam com uma eleição. Os Estados Unidos promovem guerras, golpes de Estado, bloqueios e sanções há décadas, com todas as administrações, e a ocupação da Palestina já dura há 78 anos», recordaram.

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