|Médio Oriente

Irão alcança acordo de cessar-fogo nos seus termos

Numa vitória diplomática de monta para a parte iraniana, foi anunciado na madrugada desta quarta-feira um acordo de cessar-fogo de duas semanas com os EUA, que abrange questões económicas e de segurança.

Universidade de Tecnologia Sharif, em Terrão, atingida pelos bombardeamentos israelo-norte-americanos Créditos / Peoples Dispatch

O acordo de cessar-fogo, que se seguiu a intensos esforços de mediação e de negociação entre as partes, foi divulgado esta madrugada pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, na sua conta de Twitter (X).

Sharif, que assumiu o papel de mediador, declarou que Irão e EUA, juntamente com os seus aliados, chegaram a acordo sobre «um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros locais, com efeito imediato».

Ao abrigo do acordo, as forças militares iranianas comprometem-se a suspender as suas operações defensivas caso os EUA e Israel cessem os seus ataques, que iniciaram a 28 de Fevereiro último.

A passagem da navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz é garantida nas próximas duas semanas, em coordenação com os militares iranianos.

Numa declaração relativa à solicitação feita pelo primeiro-ministro paquistanês, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou, em nome do Conselho Nacional Supremo Iraniano, que, se os ataques ao Irão parassem, as Forças Armadas do seu país também cessavam as suas operações.

Araghchi também expressou gratidão ao primeiro-ministro paquistanês e ao seu chefe do Estado-Maior do Exército, marechal de campo Asim Munir, pelos seus «esforços incansáveis ​​para pôr fim à guerra na região», tendo referido que o cessar-fogo reflecte os sacrifícios das forças iranianas e o apoio constante da população desde os primeiros dias do conflito.

Dez pontos apresentados pelo Irão

Araghchi sublinhou igualmente que o presidente norte-americano, Donald Trump, havia aceitado negociar tendo como base a estrutura geral da proposta de dez pontos apresentados pelo Irão, que abrangem um conjunto de exigências com vista a garantir a segurança nacional do país persa, bem como a sua soberania económica e a sua posição na região.

Um elemento central da lista apresentada é a insistência iraniana num compromisso de não agressão por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados, procurando garantias de que a pausa temporária no conflito não será explorada para uma nova acção militar.

Outro aspecto de destaque é a exigência de Teerão de manter o controlo sobre o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento marítimo crucial por onde passa uma parte substancial do fornecimento mundial de petróleo.

O Irão sublinha também o reconhecimento do seu direito ao enriquecimento de urânio, um ponto de discórdia de longa data nas negociações internacionais. A inclusão do levantamento das sanções aplicadas ao país, tanto primárias como secundárias, reflecte a aposta do país na estabilidade económica, e na restauração do comércio internacional e do acesso financeiro.

Ao mesmo tempo, o país asiático apela à revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU que considere restritivas ou punitivas.

Teerão reclama ainda uma indemnização pelos danos sofridos e a retirada total das forças norte-americanas da região, visando reduzir a presença militar estrangeira que o Irão considera uma ameaça.

Nos últimos pontos da lista apresentada, exige o fim das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Israel adere ao cessar-fogo mas declara que o Líbano fica de fora

Poucas horas depois do anúncio de cessar-fogo, o governo israelita, liderado por Benjamin Netanyahu, declarou que apoiava a decisão dos EUA de suspender os ataques ao Irão por duas semanas, mas, de forma unilateral, anunciou que o Líbano não estava incluído no acordo.

Segundo refere a Al Mayadeen, já esta manhã as forças de ocupação israelitas violaram os termos do acordo aceite pelas partes ao atingirem uma ambulância e bombardearem várias localidades no Sul do Líbano.

A declaração israelita e as acções militares subsequentes contradizem de forma directa o anúncio de cessar-fogo feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que declarava a inclusão do Líbano, bem como o facto de a trégua ter efeitos imediatos.

Na mesma mensagem, Sharif convidou as delegações de ambas as partes a deslocarem-se a Islamabade no próximo dia 10, para ali «prosseguirem as negociações visando um acordo definitivo para a resolução de todas as disputas».

«Esperamos sinceramente que as negociações em Islamabade concretizem uma paz duradoura e desejamos partilhar mais boas notícias nos próximos dias», disse.

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