O actual processo de externalização dos serviços de higiene urbana no concelho de Póvoa de Varzim (em que empresas privadas são contratadas para assumir estas funções) começou em 2018. Desde então, «com o avanço dos anos, as coisas foram-se alterando», explicou Andrea Silva, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim (CMPV), na reunião de câmara realizada no dia 17 de Março. «As empresas foram aumentando muito significativamente aquilo que é o valor cobrado pelos serviços que prestam», referiu ainda a autarca do PSD.
Neste momento, a CMPV paga 1 milhão e 600 mil euros anuais para garantir os serviços privados de higiene urbana: «a recolha noturna de resíduos urbanos, seis dias por semana; a recolha noturna de sete dias por semana na cidade; a lavagem dos contentores com frequência mensal; a recolha de monstros e resíduos verdes e a recolha porta à porta». A internalização do serviço, ainda que obrigue há contratação de dezenas de profissionais e a aquisição de viaturas, permitiria uma poupança de cerca de 500 mil euros anuais.
O processo deverá prolongar-se até ao início de 2028, permitindo à CMPV o tempo necessário para abrir os concursos de recrutamento de 31 trabalhadores e para a aquisição das viaturas. Na mesma reunião, João Trocado, vereador do PS (eleito pela coligação Aliança Poveira), defendeu ainda a internalização de toda a limpeza urbana, acabando de uma vez com a privatização deste sector, que sai muita cara ao concelho.
Em comunicado, a estrutura concelhia do PCP na Póvoa de Varzim considera a internalização da higiene urbana uma «boa notícia», mas deixa uma ressalva: «a decisão anunciada não é uma novidade política, é uma correcção tardia de um caminho manifestamente errado». Ao longo de vários anos, milhões de euros da CMPV foram desperdiçados por um dogma que «privilegiou a concessão a privados em detrimento da gestão pública de um serviço essencial».
«Hoje, a própria câmara vem reconhecer na prática que a gestão pública é mais eficiente e mais económica. A decisão agora anunciada representa, na prática, um reconhecimento de que o caminho seguido até aqui não foi o mais adequado. Mais do que uma mudança de modelo, é a confirmação de que a defesa do serviço público feita pelo PCP estava certa», consideram os comunistas.
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