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Presidente da Câmara de Aveiro associa músicos de rua ao tráfico de droga

A Câmara Municipal de Aveiro promoveu o 1.º Encontro com os Agentes Culturais do concelho. No evento, Luís Souto Miranda, presidente da autarquia, quis associar os artistas de rua à criminalidade e ao tráfico de droga, insultando os presentes, pessoas oriundas das mais diversas áreas culturais aveirenses. 

A Câmara Municipal de Aveiro promoveu o 1.º Encontro com os Agentes Culturais do concelho, uma reunião de trabalho que contou com mais de 150 participantes de diversas áreas culturais. O objetivo foi reforçar a estratégia de proximidade, baseada no diálogo contínuo, na escuta ativa e na articulação entre o município, os agentes culturais e a nova programadora do Teatro Aveirense, Leonor Barata. 

O encontro, que deveria servir para discutir os eixos prioritários para o sector cultural ficou, no entanto, marcado por uma polémica, com o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto Miranda, a associar os músicos de rua à criminalidade. 

Num áudio a que o AbrilAbril teve acesso através de uma fonte no local, no momento de ter a palavra, respondendo a um dos presentes sobre os artistas de rua, é possível ouvir Luís Souto Miranda a dizer que esses «afinal de contas, junto com não sei quem comercializavam, passavam alguma droga». Face à indignação dos presentes, o mesmo defendeu-se dizer «este foi o peixe que me venderam».

Esta foi, porém, a segunda vez que o presidente da Câmara Municipal de Aveiro assentou a sua visão sobre artistas de rua em mera especulação. Momentos antes, enquanto desenvolvia a alega conflitualidade entre artista de rua, Souto Miranda disse: «Não é preciso fazer grandes consultas na internet, há vídeos que correram que já têm milhões de views que na Ribeira, que andava tudo à pancada com as senhoras da Ribeira». 

Quem já reagiu foi o PCP que, através da sua Comissão Concelhia de Aveiro, condenou publicamente as declarações de Luís Souto Miranda. O partido acusa o autarca de associar «de forma indiscriminada e ofensiva os artistas de rua a fenómenos de marginalidade e criminalidade», considerando que tais declarações, desprovidas de fundamento factual, se inserem numa visão redutora e elitista da cultura por parte do executivo PSD/CDS.

O comunicado critica ainda a extinção do pelouro da Cultura e do cargo de vereador respectivo, deixando o sextor sem interlocução política direta. O PCP aponta também a ausência de concursos públicos para a direção artística do Teatro Aveirense, optando-se por nomeações que evitam o escrutínio democrático, e denuncia uma gestão discricionária dos equipamentos culturais municipais.

Perante o que classifica como um ataque à dignidade dos trabalhadores da cultura e à identidade de Aveiro, o PCP apela à solidariedade e mobilização da comunidade aveirense em defesa de um serviço público municipal de cultura democrático. O partido sublinha que a arte de rua é um pilar da democratização do acesso à cultura e um direito à fruição do espaço público, não podendo ser criminalizada por boatos ou estereótipos.
 

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