O cenário repete-se todos os primeiros dias úteis de cada mês: dezenas de utentes a pernoitar à porta da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Odivelas para conseguir marcar uma consulta. No entanto, a Unidade Local de Saúde (ULS) responsável decidiu acabar com as filas de espera presenciais, enviando os utentes para casa, mas sem garantir consulta a curto prazo.
De acordo com o Movimento de Utentes de Serviços Públicos (MUSP), em vez de contratar mais equipas de saúde geral e familiar para dar resposta à procura, a ULS optou por uma «habilidade administrativa» que apenas esconde a ruptura naquela UCSP. A situação fica mais escabrosa quando se tem em conta que a unidade de saúde necessita de mais 15 equipas de saúde familiar, para resolver o problema, no entanto, no concurso de contratação no início do ano, nem sequer se abriu uma vaga.
A situação não é exclusiva da UCSP de Odivelas. Dados disponíveis até ao final de 2025 mostram um cenário crítico em todo o concelho: na UCSP de Caneças registam-se 6362 utentes sem médico de família (58% dos inscritos); na UCSP de Odivelas registam-se 22 276 utentes sem médico de família (60%); na UCSP de Famões registam-se 5546 utentes sem médico de família (61%); e na UCSP de Urmeira há 7259 utentes sem médico de família (82%). No total, são mais de 43 mil os utentes do concelho sem equipa de saúde familiar atribuída, um aumento de mais de 30% face a 2024.
Perante este quadro, o MUSP está a organizar duas iniciativas públicas em defesa do SNS e contra o desinvestimento nos cuidados primários. Uma acção será no dia 7 de Abril com uma concentração em frente ao Ministério da Saúde, na Rua João Crisóstomo, Lisboa, a partir das 10h30. A segunda será no dia 11 de Abril, uma concentração em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, a partir das 15h30.
A estrutura de utentes apela à participação da população de Odivelas e de outros concelhos afectados pela falta de médicos de família. «Pelo direito à saúde, não podemos ficar em casa à espera de uma carta que nunca chega», lê-se no comunicado que denunciou o caso.
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