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Mobilizações na Galiza por trabalho digno, direitos, paz e soberania

No Dia da Classe Operária Galega, a CIG promoveu mobilizações em 14 localidades, afirmando a vigência das lutas de 1972 e a importância das de hoje para responder ao empobrecimento e ao modelo neoliberal.

Vigo foi uma das localidades galegas onde a CIG promoveu mobilizações neste 10 de Março Créditos / CIG

Sob o lema «Contra a precariedade e a desigualdade, na Galiza trabalho digno, povo com direitos», a Confederação Intersindical Galega (CIG) levou a cabo iniciativas, esta terça-feira, por todo o território, evocando assim as lutas dos trabalhadores galegos em 1972, no contexto das quais a Polícia franquista assassinou em Ferrol os operários Amador Rei e Daniel Niebla.

Com as mobilizações deste 10 de Março, a central de classe quis afirmar a vigência das «lutas de 1972 por salários e condições de trabalho justas, e pela defesa da negociação colectiva na Galiza», sublinhando, ao mesmo tempo, que só a mobilização dos trabalhadores dá resposta «à realidade de empobrecimento generalizado, baixos salários e desigualdade que a classe trabalhadora sofre» no território.

Ao intervir no acto de oferenda floral que teve lugar junto ao monumento ao 10 de Março, em Ferrol, o secretário-geral da CIG, Paulo Carril, denunciou as sucessivas reformas laborais aprovadas pelos governos espanhóis, «que facilitam a normalização da precariedade e da pobreza laboral», bem como uma via em que mesmo autoproclamados governos de esquerda «intensificam as políticas mais neoliberais e depredadoras», e procuram inclusive questionar o direito à greve a de mobilização.

Alertando que isto ocorre num contexto de aumento do custo de vida que dificulta o acesso a bens e serviços básicos como a habitação, a energia e a alimentação, Carril chamou a atenção para o «início de uma nova crise inflacionária como resultado da agressão imperialista dos EUA e de Israel ao Irão», refere a CIG no seu portal.

Nesta perspectiva, pediu aos governos espanhol e galego que aprovem de imediato «um plano de choque para enfrentar as consequências económicas e sociais desta guerra» e «para defender os serviços públicos», em vez de «tentarem aumentar e justificar o aumento das despesas militares».

Denúncia da agressão imperialista ao Irão, mobilização pela paz

Na sua intervenção, Paulo Carril abordou a agressão militar dos EUA e Israel ao Irão, tendo destacado que não se trata de um ataque «isolado», mas se insere num «processo em que o capital deseja continuar a manter a hegemonia mundial e as condições de exploração, pobreza e subjugação dos povos e estados que se recusam a aceitar a tutela das potências dominantes».

Neste sentido, incentivou a participação nas mobilizações convocadas pela plataforma Galiza pola Paz para o próximo dia 16 «contra esta barbárie», em defesa do direito internacional e pela paz.

«É preciso acabar com a apologia do belicismo e da NATO, porque a guerra nunca é a solução, é sempre uma tragédia e uma destruição para toda a humanidade, mas sobretudo para as classes populares», declarou.

O secretário-geral da CIG apelou ainda a uma resposta mediante o uso «das nossas armas, das únicas que queremos utilizar, que são a palavra, a solidariedade e a mobilização social».

«O povo galego é um povo que demonstrou historicamente a sua adesão fraterna às causas justas em qualquer parte do mundo», tal como tem ficado patente na denúncia do genocídio do povo palestiniano, recordou.

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