O Dia Nacional do Estudante rima, mais uma vez, com luta estudantil. Pelo menos há quem faça por isso e este ano não é excepção. Num comunicado enviado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (AEFCSH-UNL) dá conta que 11 associações de estudantes subscreveram um manifesto que convoca a próxima manifestação nacional de estudantes, marcada para o próximo dia 24 de Março.
No comunicado enviado às redações, os estudantes sublinham que «a nossa tradição é a luta», recordando que há 64 anos, em 1962, o movimento estudantil se preparava para celebrar o Dia do Estudante em plena ditadura fascista, tendo sido brutalmente reprimido pelo Governo da época.
Agora, em 2026, os motivos para o protesto são outros, porém, a irreverência estudantil mantém toda a sua actualidade e o presente carece dela. O manifesto, que conta com dezenas de associações subscritoras, denuncia uma quebra de 16,4% no número de candidaturas ao Ensino Superior, o que corresponde a cerca de 10 000 candidatos, e aponta o dedo às políticas governamentais para o sector.
A esta questão, soma-se ainda a questão do alojamento. Conforme denuncia o manifesto, para um total de 175 000 estudantes deslocados existem apenas 15 mil camas em
residências públicas, enquanto o Plano Nacional para o Alojamento Ensino Superior (PNAES) ainda só cumpriu com 13% das camas prometidas.
Também a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES) é apresentada como um ponto de insatisfação, já que foi um processo avançado pelo Governo que visa reduzir a participação dos estudantes nos órgãos de gestão das instituições, assim como aprofundar o caminho de desresponsabilização do Estado no financiamento do Ensino Superior.
As estruturas promotoras prometem uma manifestação que «convergirá o Movimento Associativo Estudantil, somando-se às associações subscritoras do apelo» e a AEFCSH destaca já a participação da Associação Académica de Coimbra.
Os estudantes afirmam que «um dia de luta, em construção, nomeadamente a partir das manifestações e protestos que se preparam já por todo o país, culminará na manifestação nacional» e deixam ainda um apelo final: «Todos ao 24 de março! Gratuitidade. Alojamento. Democracia. A nossa tradição é a luta!».
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