Multiplica-se a insatisfação relativamente ao mau serviço prestado pela Fertagus e para o Governo a empresa pode lucrar à vontade enquanto o investimento será público. A secretária de Estado da Mobilidade admitiu hoje, no parlamento, que os constrangimentos na ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal resultam da falta de comboios, mas assegurou que o Governo está a trabalhar para melhorar a oferta, nomeadamente através da compra de material circulante usado em Espanha.
«Isto é um problema de falta de comboios devido ao desinvestimento ao longo de décadas, é verdade. Mas também é verdade que não há comboios na prateleira para se comprar», afirmou Cristina Pinto Dias, durante uma audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.
A governante explicou que o problema se resolve com comboios, mas que a aquisição de material novo demoraria entre oito a dez anos. Por isso, o Governo está a trabalhar para encontrar no mercado material circulante compatível, devendo a compra de comboios usados ser feita em Espanha, devido aos condicionalismos da bitola ibérica.
Nestas explicações a secretária de Estado ausentou a Fertagus de qualquer responsabilidade puxando para o Governo a compra de comboios necessária para que a linha explorada pela empresa do Grupo Barraqueiro continue a operar e a lucrar.
Para confrontar a secretária de Estado estava a deputada do PCP, Paula Santos, que considerou necessária uma intervenção do Governo para assegurar mais oferta ferroviária, defendendo que tal poderia passar por «estender a operação da CP à margem sul do Tejo», na medida em que se o investimento é público e a única forma de garantir a qualidade do serviço também, esta linha deve voltar para a esfera pública.
Já a Iniciativa Liberal considerou evidente a necessidade de reforço do material circulante perante o crescimento populacional e a pressão crescente sobre os transportes públicos. Os liberais, como não podiam deixar de ser, afastam do seu discurso a responsabilidade da Fertagus e, à moda do neoliberalismo, exigem que o investimento seja público para o lucro de um punhado de empresários.
Sobre a hipótese de a CP avançar de imediato para a linha de Setúbal, a secretária de Estado afastou esse cenário devido ao contrato de exclusividade da Fertagus e à falta de material circulante, algo que não faz sentido uma vez que fica comprovado que a empresa não cumpre com o necessário e a compra de material será, muito provavelmente, feita com dinheiro público.
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