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Condições desiguais prejudicam estudantes

A associação de estudantes da FLUL divulgou os resultados de um inquérito, segundo o qual 82% dos estudantes inquiridos consideram que as aulas à distância não decorrem conforme planeado.

Concentração de estudantes à porta da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa por melhores condições e mais investimento para o Ensino Superior. Lisboa, 18 de Novembro de 2019
Créditos / AbrilAbril

Os estudantes alegam que o ensino à distância, adoptado na sequência da pandemia de Covid-19, apresenta fragilidades que têm «indubitavelmente prejudicado» os alunos.

«No período de apenas uma semana, chegaram-nos mais de 500 denúncias de irregularidades», afirma a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (AEFLUL), em comunicado.

No relatório que acompanha os resultados do inquérito feito a 528 alunos, estes afirmam-se prejudicados «a nível académico e psicológico».

De acordo com os dados recolhidos, 10,2% dos inquiridos consideram que nenhuma das suas unidades curriculares tem funcionado adequadamente e 46,2% afirmaram não ter aulas por videoconferência de forma regular.

No mesmo universo, 67,2% responderam que a carga de trabalho «aumentou substancialmente», desde o início das aulas não presenciais. «Entre aqueles que têm assistido às aulas leccionadas através de plataformas alternativas, como a videoconferência, 29% dizem que estas não têm decorrido de forma satisfatória», lê-se no documento divulgado pelos estudantes, com o objectivo de promover um debate sobre este modelo de ensino e identificar fragilidades.

De acordo com os estudantes, a maioria das cadeiras práticas não foi devidamente adaptada: «27% viram a componente prática eliminada por completo.» Os mesmos resultados mostram que 35% do universo inquirido estão a ser avaliados somente por elementos escritos e que apenas 3% têm realizado apresentações orais.

«É especialmente problemática a eliminação destas componentes, transformadas em componentes teóricas, bem como o estabelecimento de prazos demasiado curtos, concomitante com a instauração de uma lógica de autodidatismo, sem orientação adequada», criticam os estudantes.

Para os alunos, o sistema de ensino à distância tem «profundas lacunas» uma vez que um terço dos estudantes inquiridos ainda não dispõe, passado um mês sobre o início do isolamento profilático, de quaisquer informações relativas à avaliação alternativa perspectivada.

A associação refere ainda que nem todos os estudantes têm computador, nem os docentes receberam a formação adequada para trabalhar com determinadas plataformas online, sendo «muitas vezes incapazes de conduzir eficientemente as aulas».

A AEFLUL anunciou também que participará na campanha «Ninguém fica para trás», palavra de ordem que várias associações de estudantes do País adoptaram no seguimento da semana de luta em torno do 24 de Março, dia do estudante. Nessa semana, os estudantes inundaram as redes sociais com selfies reivindicativas, uma vez que não se concretizou a manifestação nacional prevista por causa das restrições de contenção do surto epidémico.

Agora, o novo lema refere-se à necessidade de adoptar medidas que impeçam as desigualdades na evolução das aprendizagens decorrentes desta situação de encerramento das universidades, e exige o não pagamento das propinas enquanto as aulas presenciais não tiverem lugar.

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