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Ministro quer CP com «contas saudáveis» a dar as linhas mais rentáveis a privados

No âmbito de um evento para assinalar a marca de um milhão de vendas do Passe Ferroviário Verde, Miguel Pinto Luz disse que quer a «CP com contas saudáveis», porém quer retirar-lhe as linhas mais rentáveis e dá-las aos privados. 

CréditosTiago Petinga / Lusa

O ministro das Infraestruturas abordou hoje a ideia de um futuro passe intermodal nacional após fazer um balanço positivo do Passe Ferroviário Verde, uma vez que tal «representa mais de 20 milhões de euros de receita para a CP». Isto seriam boas notícias se não estivesse em marcha um plano de desmantelamento da empresa.

As declarações foram feitas num evento para assinalar a marca de um milhão de vendas do Passe Ferroviário Verde e foi avançado que em março havia 70 mil passes mensais activos. Os números impressionam e revelam a importância e a qualidade da CP no serviço prestado. 

Por todo este sucesso, não deixa de ser interessante o plano que o Governo tem para empresa pública: anunciou um investimento de 1 800 milhões de euros em 195 novos comboios, porém pretende sub-concessionar as linhas mais rentáveis do transporte ferroviário em Portugal (Linhas Sintra/Azambuja; Cascais; Sado; Porto).

Esta opção política entra em profunda contradição com o que Miguel Pinto Luz disse querer para a empresa pública ao afirmar que a meta é «pensar a CP como o grande prestador de serviço ferroviário público em Portugal» mantendo a empresa com «contas saudáveis». 

Importa lembrar que em Março, o ministro das Infraestruturas tinha garantido esta no Parlamento que «a CP vai dar lucro«. «Não vai dar um, nem dois, nem três, nem quatro milhões de euros de lucro. Vai dar mais», prometeu, porém, a Deloitte está a preparar um relatório para com a intenção de adjudicar as sub-concessões de serviços urbanos da CP a franceses, espanhois ou ingleses, alienando estas para o capital estrangeiro, uma machadada nos interesses nacionais. 

À data, Pinto Luz salientou que as sub-concessões serão diferentes da concessão da Fertagus, assegurando que estas «vão operar sob a marca CP, sob a alçada da administração da CP, sempre sob a gestão da CP». Nas entrelinhas, no entanto, entende-se que o investimento avançado pelo Governo e o sucesso do Passe Verde Ferroviário vão, assim, para o bolso dos privados. 
 

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