Em diversas declarações, as organizações alertaram que o ataque ilegal ao Irão, lançado a 28 de Fevereiro, iria ter certamente impactos devastadores na população, correndo o risco de repetir a destruição de infra-estruturas da saúde verificada na Faixa de Gaza durante o genocídio perpetrado por Israel.
Desde o início dos ataques, as autoridades iranianas referiram que várias instalações de saúde foram danificadas pelos bombardeamentos norte-americanos e israelitas, incluindo importantes centros médicos e departamentos de fertilização in vitro, indica o Peoples Dispatch.
Estas notícias fazem lembrar os ataques às infra-estruturas da saúde no país em 2025, bem como o desmantelamento sistemático do sistema de saúde palestiniano desde Outubro de 2023 – apesar dos apelos repetidos da parte de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para que o direito internacional seja respeitado e os espaços médicos sejam protegidos durante os conflitos armados.
Ataques imperialistas para consolidar controlo e dominar a região
Numa declaração solidária com o povo iraniano, o Movimento pela Saúde dos Povos (PHM, na sigla em inglês) condenou de forma clara os ataques israelo-norte-americanos ao país persa, que classificou como «um acto de guerra que coloca em risco a população civil que vive na região, com o objectivo de dominar os recursos naturais, as rotas comerciais e toda a região».
Neste contexto, a rede médica britânica Medact alertou que os ataques em curso não podem ser isolados das intervenções ocidentais anteriores na região. «No passado, as "guerras preventivas" e as "mudanças de regime" precederam de forma consistente actos de violência imperialista ocidental no Médio Oriente e no Norte de África», afirmou.
«No Irão, em particular, assistimos a intervenções militares históricas do império britânico e dos EUA com o objectivo de derrubar governos, consolidar o controlo ocidental e explorar recursos», denunciou a organização no seu portal.
Os profissionais de saúde apontaram ainda os graves perigos que representam eventuais danos em instalações nucleares, que podem «causar devastação generalizada e libertações significativas de radioactividade», segundo referiu a organização Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear (IPPNW, na sigla em inglês).
«E a situação poderá escalar para uma guerra regional e, em última instância, levar ao uso de armas nucleares – precisamente aquilo que o mundo mais precisa de evitar», acrescentou.
Apelos à unidade em defesa da paz, do direito à saúde e da soberania
O Movimento pela Saúde dos Povos lembrou que a agressão em curso ao Irão surge «na sequência de mais de dois anos e meio de guerra genocida na Palestina, bem como de ataques ao Líbano, Síria e Iémen».
Neste sentido, lançou um apelo a movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, profissionais de saúde e todas as pessoas de consciência em todo o mundo para que se unam «contra essa violência ilegal».
«Proteger o direito das nações a determinar o seu próprio futuro é inseparável da salvaguarda da saúde e da vida de seus povos», sublinhou.
Também a Medact apelou ao empenho de todos no Reino Unido. «Enquanto movimento comprometido com a justiça na saúde e com a conquista da saúde através da paz, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir que o nosso governo permita ainda mais terror e violência», afirmou.
De modo a tentar evitar a escalada de destruição e guerra, os profissionais de saúde e as suas organizações devem exigir «acção política para a desescalada militar, negociação diplomática e soluções para a paz», sublinhou.
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