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Celeste: salvar o negócio através de «ilegalidades» cometidas contra os trabalhadores

O grupo Celeste, que dizia não ter dinheiro para salários enquanto comprava uma nova frota automóvel, está em insolvência. Os subsídios de férias de 2025 ainda não foram pagos, alerta o SINTAB/CGTP-IN.

Créditos / Grupo Celeste

Em plenários realizados nas unidades produtivas de Guimarães e Vizela, os trabalhadores do grupo Celeste (empresa panificadora) denunciaram as «pequenas acções, ainda para mais ilegais, como o gozo forçado de férias», que estão a ser aplicadas numa tentativa desesperada de alterar o rumo da empresa. Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN) afirma, «de forma clara», que não será aceite a perda de dias de férias «para compensar os períodos em que se encontram parados sem trabalho» por razões que não são imputáveis aos trabalhadores: uma «ilegalidade».

«Os direitos conquistados não podem ser postos em causa para esconder atrasos, indefinições ou responsabilidades alheias aos trabalhadores, muito menos quando o ganho nada representa perante a dimensão das respostas que se exigem para resolver o problema», reitera o sindicato. Ainda para mais quando ainda estão por pagar os subsídios de férias de 2025 e o pagamento dos salários «tem sofrido intermitências». Em Agosto, foi preciso apresentar um pré-aviso de greve para forçar o grupo Celeste a pagar dois meses de salários em atraso.

Agora que a empresa está em processo de insolvência, com uma dívida superior a 15 milhões de euros (segundo o sindicato) e em pleno Processo Especial de Revitalização (PER), o SINTAB relembra que «não há revitalização possível sem trabalhadores, nem futuro para a empresa sem aqueles que a alavancam, nela trabalhando todos os dias». A preocupação fundamental da empresa deve passar, agora, pelo assegurar da existência de matéria-prima para manter a produção diária.

Sem assegurar o funcionamento das fábricas, agrava-se ainda mais a situação da empresa, «impedindo a produção regular dos seus produtos habituais, a satisfação das encomendas e o cumprimento dos compromissos com clientes». Uma coisa é certa – a empresa «é viável», com uma «rede comercial estruturada» e trabalhadores «experientes e qualificados»: não podem ser ele é a pagar a factura das más gestões patronais.

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