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Sicasal: uma «marca líder» em situação de insolvência

Os donos da Sicasal, com 260 trabalhadores em risco de despedimento, não chegaram, sequer, a entregar documentos ao tribunal que decretou a insolvência. A fábrica na Malveira, Mafra, é a maior na região.

«A realidade demonstra, mais uma vez, que quando os trabalhadores não estão organizados, informados e unidos, são frequentemente apanhados de surpresa por decisões que afectam profundamente as suas vidas», lamenta o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN), em comunicado enviado ao AbrilAbril. Valeu o «histórico esforço das sucessivas administrações da Sicasal em combater a sindicalização e a organização colectiva dos trabalhadores».

A opção, por parte do patronato, de atacar os sindicatos e a unidade dos trabalhadores caminha, lado a lado, com a tomada de «opções estratégicas erradas e de falhas graves de gestão, que conduziram ao progressivo definhar de uma empresa» histórica em Portugal, com uma implantação significativa no mercado nacional. O Tribunal de Sintra recusou o plano de recuperação da Sicasal e avançou com a insolvência, solicitada pelo BCP.

A Sicasal não entregou os documentos requeridos pelo tribunal. Segundo a SIC Notícias, vários trabalhadores enfrentavam já o pagamento dos salários em atraso.

É o fim anunciado de uma empresa «líder da indústria de carnes em Portugal» (como a Sicasal se apresenta, no seu site). O SINTAB considera que não só a administração da empresa deve assumir responsabilidades neste processo: vários agentes políticos, tanto a nível local como nacional, abdicaram de promover um «escrutínio rigoroso da utilização de apoios públicos, incentivos financeiros e facilidades concedidas ao abrigo da regulamentação autárquica». 

O dinheiro público devia ter garantido, efetivamente, «a criação e manutenção de emprego digno e não a gestão ruinosa ou irresponsável». Este sindicato «reafirma o seu compromisso com a defesa intransigente dos trabalhadores da Sicasal e continuará a exigir responsabilidades, transparência e soluções concretas que coloquem o emprego, a dignidade laboral e o desenvolvimento regional no centro das decisões».

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