A Operação Colombo foi organizada pela DINA, a polícia política do regime fascista de Augusto Pinochet, no Chile, em 1975 – uma acção que assassinou e fez desaparecer (uma prática comum no fascismo da América Latina) 119 opositores políticos (socialistas, comunistas e democratas), construindo uma extensa rede de desinformação e notícias falsas, com a participação da comunicação social, para atribuir o massacre a outros actores políticos.
Integrando a sociedade Rodríguez, Vergara y Compañía, o advogado Fernando Rabat fez parte da equipa de defesa do ditador no julgamento da Operação Colombo, cuja estratégia passou por defender que Pinochet «não participou, nem teve conhecimento dos factos e nem sequer está em condições de ser alvo de um processo penal», como afirmou Pablo Rodríguez, seu colega (e fundador do movimento paramilitar fascista Patria y Libertad), em Julho de 2005. Rabat particiou também na defesa do caso Riggs, sobre o desvio de milhões de fundos públicos para contas secretas internacionais de Pinochet.
Quem melhor, então, do que Rabat para liderar o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos no novo Governo de extrema-direita de José Antonio Kast, neto de um alemão exilado, membro do partido Nazi. «Este executivo não é resultado de quotas, cálculos ou pressões. É o resultado de uma profunda convicção e de uma vocação comum: colocar sempre o Chile em primeiro lugar», declarou Kast, na cerimónia de apresentação do seu mandato.
Para o Ministério da Defesa Nacional, o nome escolhido foi o de Fernando Barros, antigo assessor jurídico do ex-presidente do Chile, Sebastián Piñera, e fundador de uma das mais importantes sociedades de advogados chilenas, Barros & Errázuriz, focada no apoio e assessoria de grandes empresas. Em 1998, Barros integrou a equipa que defendeu Pinochet durante a sua detenção em Londres.
Em 2020, Barros reafirmou o seu apoio a Pinochet, afirmando que a prisão do ditador era «uma perseguição ideológica e não uma questão de justiça». Foi também o novo ministro da Defesa Nacional quem ajudou a organizar a visitar da neoliberal Margaret Thatcher ao ditador chileno – segundo Barros, a antiga primeira-ministra britânica considerava Pinochet «um combatente da Guerra Fria, que tinha derrotado o socialismo que agora [a sua prisão em 98] procurava vingar-se».
Várias associações de familiares de pessoas desaparecidas e assassinadas pela ditadura chilena lançaram um comunicado conjunto em denunciam esta «ofensa directa à memória das vítimas da ditadura e aos seus familiares». Os nomes escolhidos por Kast afirmam uma «trajectória de apologia à ditadura e um compromisso com a impunidade» dos responsáveis e executantes do assassinato de milhares de opositores políticos.
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