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Lula pede mobilização global contra a fome e critica despesas militares

Ao intervir na conferência da FAO, o presidente brasileiro afirmou que a fome podia acabar se os governantes agissem com bom senso e deixassem de dar prioridade aos recursos para armas e guerras.

Em Brasília, Lula da Silva defendeu que o combate à fome está ligado à defesa da paz CréditosRicardo Stuckert / PR

Em Brasília, na abertura da 39.ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e Caraíbas, Lula da Silva centrou o seu discurso na relação entre a guerra, a concentração da riqueza e a fome.

O chefe de Estado lançou um apelo ao combate à fome, sublinhando que esta luta deve ser encarada em consonância com a promoção da paz, uma vez que as despesas com armamento a nível mundial seriam suficientes para acabar com a fome.

«Se nós pegássemos o dinheiro que foi gasto ano passado em armamentos, em conflitos, o equivalente a 2,7 milhões de milhões de dólares e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que no planeta passam fome, daria para a gente ter distribuído 4285 dólares para cada pessoa», afirmou Lula, citado pelo Portal Vermelho.

Em seu entender, isto mostra que, se prevalecesse o bom senso entre os governantes, a fome não existiria.

Mensagem aos membros permanentes do Conselho de Segurança

Dirigindo-se aos países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos), o presidente brasileiro pediu-lhes maior preocupação com a questão da fome, em detrimento da defesa.

«Está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos e todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drones, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros e tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimento, isso é feito para destruir e para diminuir a produção de alimentos ou destruir aquilo que já está plantado», alertou.

Para o presidente brasileiro, bastaria uma videoconferência entre os cinco membros permanentes para decidir se aquilo que vai resolver os problemas da humanidade é mais guerra ou mais paz, se é o fabrico de mais armas, cada vez mais sofisticadas, ou o aumento dos rendimentos do povo, para que possa ter a comida necessária.

Alusão à destruição da Faixa de Gaza

O chefe de Estado denunciou ainda a destruição da Faixa de Gaza, a morte de mulheres e crianças levada a cabo no contexto da ofensiva genocida de Israel, para depois criar com pompa um conselho e dizer «vamos reconstruir Gaza».

Um «Conselho da Paz» de fachada para construir resorts para milionários passarem férias no local onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças, disse, em alusão à iniciativa promovida por Donald Trump.

Sobre o presidente norte-americano, Lula da Silva referiu que gosta de se vangloriar de ter o maior navio ou o maior exército do mundo, em vez de dizer «eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo».

Referindo-se ao Brasil, Lula afirmou que o seu país por duas vezes foi exemplo de como acabar com a fome e, no que respeita à América Latina, considerou que não é justo que uma região tão rica continue pobre e a padecer de injustiças seculares.

Em simultâneo, lembrou que se trata da única zona de paz do mundo e que o Brasil tem na sua Constituição «a opção de não possuir armas nucleares».

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