|Dinamarca

Em Copenhaga defendem feriado histórico contra aumento na defesa

Trabalhadores dinamarqueses manifestaram-se em Copenhaga contra a decisão do governo de eliminar um centenário feriado cristão e reverter as receitas desse dia para um aumento de despesas na defesa.

Dezenas de milhar de trabalhadores manifestaram-se em frente ao parlamento dinamarquês contra a proposta do governo de eliminar um feriado nacional e canalizar a verba correspondente para um aumento das despesas militares. Copenhaga, 5 de Fevereiro de 2023
CréditosThe Ritzau Scanpix/Emil Helms / via Reuters

Dezenas de milhar de pessoas concentraram-se este domingo, dia 5 de Fevereiro, em frente ao parlamento, na capital dinamarquesa, para protestar contra a intenção governamental de acabar com um feriado histórico para aumentar o financiamento do orçamento da defesa.

A manifestação, organizada pelos mais importantes sindicatos dinamarqueses, reuniu 50 mil pessoas e é considerada a maior do país na última década, segundo fontes sindicais referidas pela Reuters.

Os manifestantes opõem-se à abolição do Dia da Grande Oração, um feriado cristão que ocorre na quarta sexta-feira após a Páscoa e que é celebrado desde 1686 – há mais de 300 anos.

A abolição do centenário feriado foi uma das propostas do novo «governo reformista», formado em Dezembro passado, resultante da coligação à direita dos sociais-democratas (socialistas) dinamarqueses dirigidos pela primeira-ministra Mette Frederiksen, que se propõe «lidar com os desafios ao modelo social do país».

O objectivo da proposta é, através das receitas fiscais decorrentes da abolição do feriado, financiar o aumento de despesas militares da Dinamarca, de forma a antecipar em três anos a meta de 2% do PIB para as mesmas, como a NATO pretende, a pretexto da guerra na Ucrânia.

Acontece que, no mercado de trabalho dinamarquês, tanto os salários como o número de horas de trabalho são regulados por acordos colectivos de trabalho assinados entre os sindicatos – com um elevado número de trabalhadores organizados – e grupos empresariais, sem intervenção do Estado.

Sindicatos, deputados da oposição e economistas questionam o efeito da proposta, mas o governo reafirma a sua vontade de prosseguir sem ter em conta as críticas.

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