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Vacinas já tinham aval técnico, só faltava decisão política

Há um mês, a directora-geral da Saúde confirmou que a universalização da vacina contra a meningite B não suscitava dúvidas técnicas, mas exclusivamente financeiras – é, portanto, uma decisão política.

Uma criança é vacinada no centro de saúde de Sete Rios, em Lisboa. 1 de Outubro de 2014
Uma criança é vacinada no centro de saúde de Sete Rios, em Lisboa. 1 de Outubro de 2014CréditosTiago Petinga / Agência LUSA

A 11 de Outubro, a directora-geral da Saúde afirmava que a inclusão da vacina contra a meningite B no Programa Nacional de Vacinação (PNV) estava a ser estudada, mas não por dúvidas quanto à sua eficácia: «No plano individual, a vacina é óptima e dá protecção às crianças», dizia Graça Freitas.

A avaliação da Comissão Técnica de Vacinação, que ainda estará em curso, prendia-se exclusivamente com o impacto financeiro da medida, porque «cá somos todos nós a pagar, o que obriga a fazer contas», explicava a directora-geral.

Graça Freitas tornou claro que o que estava em causa não era o valor da vacina, mas se valerá a pena investir na sua universalização – uma decisão política.

Inclusão no PNV elimina barreiras

A vacina custa cerca de 100 euros por dose e o esquema mais adoptado é de três doses. Portanto, 300 euros é o preço a pagar pelos pais para protegerem cada um dos seus filhos de uma doença com uma taxa de mortalidade entre os 5% e os 15%.

O PNV já inclui a vacina contra a meningite C desde 2006 e, nos últimos anos, a incidência de casos com essa estirpe sofreu uma redução brutal, de cerca de 75%, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Já a estirpe B representa actualmente a esmagadora maioria das infecções por meningococos (acima dos 70%).

Quanto vale uma vida?

Os ex-ministros da Saúde Ana Jorge e Correia de Campos vieram insinuar, em declarações à imprensa, que o alargamento do PNV a três novas vacinas é uma cedência aos interesses da indústria farmacêutica. Mas este não é um argumento novo para travar o alargamento de novos cuidados médicos a todos os que deles precisam.

Foi assim com a hepatite C: o medicamento que garante a cura em mais de 95% dos casos só passou a ser disponibilizado de forma gratuita a partir de 2015, após um conjunto de casos dramáticos, de doentes que faleceram apenas por não terem capacidade para adquirir o fármaco, terem ganho projecção mediática.

Em 2014, houve 237 casos de infecção com meningite B em crianças com menos de um ano de idade. Nesse ano, a infecção por meningite (incluindo todas as estirpes) foi responsável pela morte de 34 pessoas em Portugal, valor que subiu para 40 em 2015.

Três novas vacinas têm apoio das sociedades de pediatria e infecciologia pediátrica

A inclusão das vacinas contra a meningite B e o rotavírus, e o alargamento da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) aos rapazes foram aprovados, através de uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2019 apresentada pelo PCP, a que se juntou o BE.

A medida corresponde integralmente às recomendações da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infeciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, publicadas em Janeiro de 2018. No documento, que analisa cinco vacinas que, estando disponíveis, não constam do Programa Nacional de Vacinação (PNV), recomenda-se a universalização das três vacinas.

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