|Encontro pela Paz

Um encontro que é já um «marco» na luta pela paz

«Pela Paz, todos não somos demais» é o lema do encontro que surgiu da iniciativa do CPPC e decorre este sábado no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, com movimentos anti-fascistas, católicos e de municípios.

A parte oriental de Jerusalém, ocupada por Israel em 1967, é considerada «território ocupado» pelo direito internacional
Os valores consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas orientam o Encontro pela PazCréditosMohammed Saber/EPA / Agência Lusa

O encontro surge da convergência do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) com o Movimento Democrático de Mulheres (MDM), o Movimento dos Municípios pela Paz, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), a Câmara Municipal de Loures e, entre outros, com a Liga Operária Católica (LOC), a Juventude Operária Católica (JOC), a Pastoral Operária e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).

«O objectivo que tínhamos para este encontro, de alargar a mobilização das pessoas e das organizações em defesa da paz, está a avançar. Consideramos que este é um passo no caminho do reforço do movimento da paz em Portugal, tendo em conta os objectivos que a Constituição da República Portuguesa (CRP) defende no seu artigo sétimo», revelou a presidente do CPPC, Ilda Figueiredo, ao AbrilAbril, numa altura em que já estavam inscritos cerca de 400 participantes, de Norte a Sul do país.

A dirigente reconhece que a iniciativa tem «muito valor» pelo caminho que se está a fazer nesta convergência de esforços e de vontades na defesa da paz, face às «preocupantes evoluções» da situação internacional, como o reforço do militarismo, destacando como áreas de trabalho a luta pela assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares e a dissolução de blocos político-militares, tal como consagram a CRP e a Carta das Nações Unidas.

Às 12 entidades promotoras associaram-se entretanto 33 organizações e movimentos, nomeadamente a Cáritas, a Voz do Operário, o Movimento Erradicar a Pobreza, a Associação Conquistas da Revolução, a Associação de Amizade Portugal-Cuba, a Associação Portuguesa de Deficientes, a Associação Portuguesa de Juristas Democratas e, entre outros, autarquias como as câmaras municipais do Porto, de Soure e do Seixal.

A participação de movimentos católicos é, do ponto de vista da dirigente, «importante» e reveladora de como a «preocupação das pessoas com a defesa da paz envolve organizações muito diversas e está a contribuir para alargar o movimento pela paz».

Justiça Social

Deolinda Machado, dirigente da LOC na diocese de Lisboa e membro da presidência do CPPC, reconhece que há cerca de 20 anos que não se realizavam iniciativas co-organizadas pela CPPP e por movimentos católicos. Mas que, lutando pelo objectivo da paz, «fazia todo o sentido haver uma organização conjunta, e foi isso que veio a acontecer».

A também dirigente sindical da CGTP-IN adianta que «os populismos que vemos surgir no plano internacional requerem uma militância activa e permanente», capaz de ir à raiz do problema, designadamente «às políticas que primeiro foram desenvolvidas para que estes populismos pudessem ver a luz do dia e encontrar eco nas populações menos esclarecidas e com grandes dificuldades».

O encontro organiza-se em torno de três temas centrais: «Paz e desarmamento», «Cultura e Educação para a Paz» e «Solidariedade e Cooperação». Sobre o primeiro, que dominará o período da manhã, Deolinda Machado regista que a paz é a melhor arma que podemos utilizar.

«Uma cultura de paz dar-nos-á um mundo muito mais seguro. E essa é que é a verdadeira arma do povo. É a liberdade, é a soberania, ter emprego, ter um salário devidamente atribuído, ter habitação», evidenciando que as questões da paz e da justiça social são indissociáveis.

Sublinha que, «ainda anteontem, no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, percebemos que não há paz nem justiça, que não há justiça sem políticas que façam com que as pessoas tenham verdadeira liberdade de acção e de intervenção, porque lhes falta o que é básico numa sociedade: a habitação, o pão, a saúde, a educação... como diz a canção».

Paz e Amizade

A iniciativa decorre entre as 10h30 e as 17h, no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures. Um espaço «emblemático» cuja designação «não é por acaso», revela o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares. «Quando foi construído, há mais de 30 anos, incorporou esses valores da paz no trabalho do município», indica.

Sobre a participação e envolvimento no encontro, mas também no Movimento dos Municípios pela Paz, Bernardino Soares reconhece que «não podemos estar indiferentes ao que se passa já com maior intensidade nalguns países, nem pensar que o nosso país está salvaguardado dos problemas que afectam a paz no mundo, dos conflitos e ingerências que são uma marca possante na política internacional».

«Também nos parece que os municípios podem e devem ter um papel importante na promoção da cultura da paz e da soberania. O fomento dessa cultura, a informação, a presença do tema da paz nas populações e nas escolas é uma tarefa que os municípios têm que tomar em mãos também», acrescenta.

No Município de Loures, para além deste encontro, que Bernardino classifica como «um ponto muito alto» do trabalho que tem vindo a desenvolver há já vários anos em cooperação com CPPC, e também com outras entidades, «temos vindo a apoiar a realização de várias exposições relativamente a vários temas relacionados com a temática da paz como a II Guerra Mundial e a Primeira Grande Guerra e os seus efeitos».

«Tem havido várias exposições e iniciativas à volta desta temática e também sessões em escolas e noutros locais, em que se tem trabalhado para promover a cultura da paz, para divulgar estes valores e para alertar os mais jovens, e os menos jovens também, que a paz não está garantida e que deve continuar a ser um objectivo de todos».

«Como diz o lema do encontro: "Pela Paz, todos não somos demais". Enquanto município queremos fazer parte desse movimento que luta pela paz e alerta para a necessidade de a  preservarmos», conclui.

Sem paz não há territórios desenvolvidos

A ideia é corroborada por Joaquim Santos, presidente da Câmara Municipal do Seixal e do Movimento dos Municípios pela Paz. Criada há dois anos, a plataforma reúne actualmente 20 autarquias numa lógica de trabalho dedicada a consciencializar a população para a importância da paz, da cooperação e solidariedade entre os povos.

«O movimento pretende afirmar este pressuposto de que sem paz não haverá possibilidade de construir concelhos, territórios, cidades, com todas as condições para as pessoas serem felizes e viverem a sua vida», frisa Joaquim Santos.

Não obstante o trabalho inter-municipal que o movimento prevê, o edil fala do que tem sido realizado pelo Município do Seixal, designadamente sobre a Venezuela, e revela que em Novembro o tema será a Palestina, estando previsto um colóquio e uma exposição.

Para além das intervenções e do debate, amanhã, o programa do encontro integra momentos musicais e culturais, e pavilhões das organizações promotoras e de entidades locais. Há autocarros a partir do Porto, Seixal, Almada e Coimbra, e um vai-vem entre a estação do Senhor Roubado e o Pavilhão Paz e Amizade.

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