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Sobre «o aumento de apoios» à extrema-direita

O RASI de 2020 conclui que movimentos de extrema-direita aumentaram, através da internet, «as suas bases de apoio», em particular junto dos jovens. A ser assim, responsáveis e respostas exigem-se.

Defender e recuperar parcelas da soberania nacional é condição de uma política que responda aos problemas do País
CréditosMário Cruz / Agência LUSA

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) relativo a 2020, refere, entre outras conclusões, que a situação de crise associada à pandemia terá constituído uma oportunidade para que a extrema-direita ganhasse mais terreno e apoiantes, em especial junto da juventude.

Os perigos da extrema-direita em Portugal são reais. Mas estas forças surgem com raízes conhecidas: crise económica e social e destruição de direitos a par de ataques à soberania dos estados, pelo que as medidas a adoptar no contexto da pandemia de Covid-19 são determinantes para não alimentar o crescimento destas falsas soluções.

Independentemente de análises mais profundas aos dados revelados, há uma primeira questão que é evidente: no últimos dois anos muito palco tem sido dado a forças reaccionárias e de extrema-direita, com grande responsabilidade dos principais orgãos de comunicação social, que não hesitam em alimentar propostas e questões, na esmagadora maioria das situações, absolutamente espúrias.

A exploração de «casos», da criminalidade e o mediatismo dado a tantas outras matérias populistas, em detrimento de se abordar, de forma séria e sistemática, os problemas com que o País se debate, também contam no caldo daqueles que se alimentam de clichés e alarmismos para granjear mais apoios.

Para além disso, nesta reflexão que se impõem a todos os democratas, não se pode fugir ao essencial: o descontentamento decorrente da pobreza, das duras condições de vida e das dificuldades sociais e económicas, pode constituir terreno fértil para estes movimentos obterem mais simpatias.

Por isso é insuficiente ficar alarmado ou preocupado com o aumento da influência da extrema-direita. É preciso dar e exigir respostas políticas concretas aos problemas dos trabalhadores e das populações, sem hesitações nem desculpas. Ao mesmo tempo, é preciso expor o óbvio: as medidas que a extrema-direita propõe alinham-se com os exploradores, e agravam os direitos de quem trabalha e dos mais pobres. Não é por acaso que estes movimentos fomentam, sempre, a divisão e a segregação, alimentando-se do racismo e da xenofobia.

Também por isto, é tão importante que, no momento actual, se exija ao Governo que vá tão longe quanto possível para travar a pandemia (diversificação da compra de vacinas, investimento nos mecanismos de saúde pública para travar contágios), e para garantir que se criam, em todos os sectores, condições de retoma da actividade económica (para combater o desemprego, os cortes nos rendimentos, entre outros).

Os problemas do povo são sérios e graves, e as respostas são tangíveis. E se o Executivo assim não o fizer, será pela denúncia da insuficiência dessas respostas e pela luta dos trabalhadores e das populações que será possível a sua concretização. Veja-se que, ao longo de 2020 e no início de 2021, registam-se, sempre pela luta, conquistas como aumentos de salários, regulação de horários de trabalho, melhores condições laborais e combate à precariedade. Há muito a fazer, mas o caminho é sempre em frente.

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