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Santander recorre a trabalho temporário para substituir trabalhadores despedidos

A ACT está a acompanhar o processo de despedimentos no Santander Totta, revela o Governo em resposta ao grupo parlamentar do PCP, que diz ter recebido relatos de «duvidosa legalidade». 

O Santander Totta, apesar do aumento dos lucros em mais de 30%, admite a saída de mais 200 trabalhadores
Créditos / Agência Lusa

«A situação sinalizada foi reportada à ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho] e está a ser objecto de acompanhamento por aquela entidade que assegurará o cumprimento da legislação laboral», lê-se na resposta enviada ao PCP pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em nome da ministra, Ana Mendes Godinho.

O PCP tinha questionado o Governo sobre a redução de pessoas no Santander Totta e o que tem feito para garantir o cumprimento da lei e dos direitos dos trabalhadores.

O grupo parlamentar comunista disse ao Governo que lhe chegaram relatos de trabalhadores que indicam práticas de «duvidosa legalidade» e que, ao mesmo tempo que o banco faz sair funcionários, há um «aumento significativo do volume de trabalho». Além disso, refere, o Santander Totta recorre a trabalho temporário para substituir trabalhadores despedidos.

Entretanto, o PCP questionou também o Ministério do Trabalho sobre os despedimentos no BCP. Os comunistas afirmam que, em ambos os bancos (Santander Totta e BCP), são levados a cabo despedimentos «sob a capa de alegados acordos» de rescisão dos contratos de trabalho.

«É inaceitável que a administração [do BCP] utilize abertamente a ameaça do despedimento colectivos para pressionar os trabalhadores a aceitarem propostas de "rescisões por mútuo acordo"», refere o PCP na pergunta sobre o BCP. 

O PCP considera falso que os despedimentos que estão a acontecer na banca se devam ao avanço tecnológico e à crise pandémica e considera que também a concentração bancária imposta pela União Bancária promove a saída das pessoas e o fecho de balcões, sem que isso represente um melhor serviço ou menos custos para os consumidores, «que continuam a ver comissões bancárias aumentadas».

Aposta nos vínculos precários

Esta terça-feira, centenas de trabalhadores bancários manifestaram-se frente ao Parlamento, em Lisboa, com as comissões de trabalhadores do Santander Totta e do BCP a acusarem as respectivas instituições de despedirem trabalhadores efectivos para os substituírem por trabalhadores com vínculos precários e empresas de outsourcing.

Com 295,6 milhões de euros em lucros em 2020, o Santander Totta tem um plano de reestruturação que prevê a saída de mais 685 trabalhadores através de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego), depois de centenas já terem saído desde Setembro do ano passado.

Já o BCP, que em 2020 embolsou 183 milhões de euros de lucros, quer que saiam 1000 empregados através de reformas antecipadas ou rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego).


Com agência Lusa

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