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Portugal só produz trigo para duas semanas no ano

A necessidade de valorizar o sector produtivo nacional e atingir a soberania alimentar levou o PCP a agendar um debate potestativo na Assembleia da República. 

Créditos / Vida Rural

Reduzir a importação de bens alimentares e aumentar a produção nacional é o objectivo fundamental da iniciativa comunista que terá lugar esta tarde no Parlamento. Nas palavras do secretário-geral do PCP, «produzir em solo nacional o que nos obrigaram a comprar lá fora». 

Na preparação para o debate, Jerónimo de Sousa esteve ontem numa produção agrícola, no Cadaval, no distrito de Lisboa.

A questão do preço pago aos produtores vs. o valor cobrado ao consumidor nas grandes superfícies foi uma das denunciadas por Jerónimo de Sousa. Em declarações aos jornalistas, frisou que, no caso da Pêra Rocha, apesar de o preço no supermercado ser de um euro e meio a dois euros por quilo, o produtor apenas recebe 30 a 40 cêntimos por igual quantidade.

O PCP chama a atenção para questões fundamentais como os custos de produção, a garantia de escoamento e o preço justo, num país com elevados défices alimentares a nível dos cereais e de outras produções agrícolas, mas também no sector das pescas, resultado da imposição da Política Agrícola Comum e da Política Comum de Pescas, mas também de políticas nacionais ao serviço do grande agro-negócio e consequente destruição do aparelho produtivo nacional.

Ao abate de milhares de embarcações juntou-se, no caso da lavoura, a eliminação de mais de 400 mil explorações agrícolas. Factos que ajudam a ilustrar a fortíssima dependência externa no plano alimentar, com uma balança externa próxima dos quatro mil milhões de euros negativos, com particular ênfase no sector dos cereais.

Portugal só produz trigo para duas semanas no ano inteiro, no caso do milho, a produção nacional apenas satisfaz 30% das necessidades internas, registando-se défices também em cereais como a cevada e o centeio. 

Os comunistas frisam que o País «tem capacidade para produzir mais» e alertam para a necessidade de aumentar os apoios à agricultura.

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