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Pode o CDS-PP querer voltar a ser o «partido dos contribuintes»?

Na tentativa de apagar responsabilidades do agravamento fiscal que protagonizou, o CDS-PP apresentou hoje um pacote de medidas para a «defender os contribuintes dos abusos» da Autoridade Tributária.

Créditos / aventar.eu

Num salto em frente para fazer esquecer as medidas fiscais – realizadas pelo anterior governo do PSD e do CDS-PP – que agravaram as condições de vida das populações e dos trabalhadores, Assunção Cristas apresentou hoje, em conferência de imprensa, um conjunto de propostas que parece querer ressuscitar a velha ideia de que este pode ser «o partido dos contribuintes».

A ex-ministra anuncia ideias no sentido de «aumentar as garantias» de defesa dos contribuintes, designadamente em torno de penhoras fiscais para fazer face a «acções desproporcionais e abusivas» levadas a cabo pela Autoridade Tributária, as quais farão parte do programa eleitoral do partido para as próximas eleições legislativas.

No entanto, o CDS-PP não faz mea culpa quanto ao que representou o aumento de tributação sobre os rendimentos do trabalho, ou seja, o peso que impôs a esses mesmos contribuintes. Recorde-se a sobretaxa extraordinária do IRS, a redução dos escalões em sede e a diminuição das deduções à colecta no IRS, ou o aumento do IVA, em particular sobre a restauração. Tudo isto feito a par da delapidação dos serviços públicos e cortes nos apoios sociais, ao mesmo tempo que se favoreciam grupos económicos e financeiros.

O CDS-PP fez parte do governo dos cortes que malhou forte nos contribuintes e nos trabalhadores, ao mesmo tempo que deu a mão a grandes grupos económicos e financeiros. Dessa marca não se livra: é o partido dos contribuintes, mas só daqueles que concentram grandes lucros através da exploração.

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