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PEV critica classificação de nuclear como actividade «verde»

«Quando os interesses económicos se sobrepõem a valores ecologistas, à saúde e segurança das populações, pinta-se de verde o que nunca será sustentabilidade nem futuro», denuncia o Partido Ecologista Os Verdes. 

Créditos / ONU News

Foi esta quarta-feira aprovada uma proposta da Comissão Europeia que classifica como actividades verdes os projectos de gás fóssil e de energia nuclear, que assim passam a integrar a taxonomia europeia do financiamento sustentável, passando a ser considerados «prioritários ao nível do investimento» e «alinhados com a transição energética e com objectivos climáticos da União Europeia», alerta o PEV num comunicado à imprensa. 

Para os ecologistas, esta classificação «demonstra claramente» que a União Europeia não está preocupada com o futuro do planeta, admitindo inclusive estarmos perante um «retrocesso» e uma «contradição» no combate às alterações climáticas.

«Tinge-se de verde o que nunca foi e que nunca poderá ser, mas tange-se e cede-se aos grandes grupos económicos que se sobrepõem aos valores ecologistas e humanos, com repercussões na saúde pública, no futuro do planeta e na segurança global», lê-se na nota.

O PEV destaca o facto de «não ser» uma energia renovável, «nem tão pouco ser uma energia limpa e inócua», tendo em conta a libertação de gases com efeito de estufa. Por outro lado, alerta, a dependência de combustíveis fósseis ameaça os objectivos que têm vindo a ser estabelecidos pelos estados, «em consonância com o suporte e investigação que ao longo destes anos tem sido realizada, em particular pelo meio académico».

A actuação da União Europeia leva os ecologistas a concluir que, mais do que transição energética, pretende-se «uma substituição e pincelar a própria poluição».

Relativamente à energia nuclear, «que nunca poderá ser dissociada da indústria militar e dos conflitos belicistas, com os acidentes de Chernobyl e Fukushima bem presentes e com o «grande perigo» que representa a Central Nuclear de Almaraz, Os Verdes criticam que se atire «areia para os olhos», ao admitir que a evolução tecnológica e novos reactores garantem a segurança e impactos mínimos associados à energia nuclear, mas admitem a oportunidade da campanha. 

«O momento não é em vão, tendo em conta a maior sensibilidade dos cidadãos, sobretudo em resultado da escalada dos custos da energia, desde logo da eletricidade, em 2021, e em particular em 2022, agravado com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia», lê-se no texto. 

Para além do risco de acidente e independentemente da geração dos reactores, os ecologistas advertem para o facto de não existirem soluções para o tratamento dos resíduos nucleares. «O lixo nuclear acaba por ser acondicionado, ou melhor escondido, a grande profundidade, seja no mar (p.e. França) ou em terra (p.e. Finlândia)», referem.

Para o PEV, o caminho para a sustentabilidade energética passa sobretudo pelo reforço das energias renováveis, com destaque para a produção e consumo de proximidade, e uma aposta clara na própria redução do consumo e na sua eficiência energética.

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