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O que é a desinformação?

Numa era refém da ideologia dominante, faz-nos falta muito mais do que a «transparência dos algoritmos das plataformas digitais», embora a proliferação das notícias falsas seja também filha do sistema para melhor veicular a «informação oficial». 

 
Créditos / Kingston University

O Parlamento debate esta tarde um projecto do PS que recomenda a adopção de medidas para a aplicação no nosso País do Plano Europeu de Acção contra a Desinformação. A aparente preocupação com «campanhas de desinformação e manipulação» prende-se com o facto de estarmos num ano de eleições para o Parlamento Europeu. 

Lê-se no diploma que «a liberdade de expressão é um valor fundamental da União Europeia», acrescentando que «as nossas sociedades democráticas abertas dependem da capacidade dos cidadãos de aceder a uma variedade de informações verificáveis para que possam formar uma visão sobre diferentes questões políticas». 

A demagogia vertida nestas afirmações ressoa em lugares como a Venezuela, o Iraque, a Síria, mas também em países da Europa, designadamente em Portugal, um dos «resgatados» pela troika. 

Numa era refém da ideologia dominante, faz-nos falta muito mais do que a «transparência dos algoritmos das plataformas digitais» e a «literacia mediática», tal como refere o projecto do PS, embora a proliferação das notícias falsas (fake news) nas redes sociais seja também filha do sistema dominante para melhor veicular a «informação oficial». 

A eventual preocupação com a saúde informativa dos cidadãos parte de quem não tem parado de fabricar histórias alheias à realidade. Entre os exemplos grosseiros estão as famosas armas de destruição maciça de Saddam Hussein, que agora todos confirmam nunca terem existido, a que se junta (com mais força desde Janeiro) a Venezuela. Neste, como noutros casos, a desinformação vem embrulhada na manipulação orquestrada pela comunicação social dominante, mesmo (e sobretudo) daquela que assenta arraiais no dito «teatro de operações», obrigando os cidadãos de espírito crítico a esforçarem-se para conhecer as verdadeiras afrontas daquele povo. 

Quanto aos motivos, o projecto do PS explica. A desinformação é entendida como «uma informação verificável, falsa ou enganosa, que é criada, apresentada e divulgada para ganho económico ou para enganar intencionalmente o público, e susceptível de causar danos públicos». 

O esclarecimento traz-nos inevitavelmente os duros anos da troika onde, com uma interessante campanha semântica, adoptando termos como «resgate» e «pedido de ajuda financeira», infligiram um dos maiores golpes à nossa soberania económica e financeira. 

O «combate à desinformação em defesa da democracia», mote para o debate desta tarde, é de facto uma urgência, mas primeiro há que identificar a raiz sob pena de não se atacar o problema. 

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